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Guiné-Bissau - De apelo em apelo até nova guerra
- 16-May-2005 - 10:41
O Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau, com a conivência geral da comunidade internacional e particular de Portugal e da CPLP, deu a Kumba Ialá toda a matéria de facto e de jure para que ele, ao seu estilo, se auto-proclamasse o novo presidente da República. Goste-se ou não, perante a decisão do STJ, Kumba tem a legalidade do seu lado. Do seu lado está igualmente o Senegal que, mais uma vez, não vai perder a oportunidade de – agora com a cobertura legal – ajudar o seu homem a ficar no Poder. Se a isso se juntar o apoio que “Nino” Vieira tem de outro gigante regional, a Guiné-Conakri, estão encontrados todos os ingredientes para uma nova guerra ou, pelo menos, para que a razão da força vença a força da razão.
Agora, depois da casa assaltada, vamos ver a comunidade internacional a multiplicar-se em apelos à paz, à moderação e à tolerância. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, já disse estar “profundamente preocupado com as afirmações que parecem tentar perturbar o processo de transição em curso na Guiné-Bissau".
A ele se vão juntar muitos outros (Portugal e a CPLP, por exemplo) numa hipócrita e criminosa tentativa de esconder as suas responsabilidades. Deram cobertura ao STJ para que viabilizasse as candidaturas de Kumba Ialá e de “Nino” Vieira, esquecendo-se (?) que dessa forma estavam a dizer a Kumba: “Avance que o caminho está legalmente livre”.
Kofi Annan "apela a todos os sectores da sociedade, em particular aos responsáveis políticos, para se absterem de qualquer acção ou declarações que possam prejudicar o processo eleitoral e a transição pacífica, evitando exacerbar as tensões no país", esquecendo que também a ONU, seja pelo seu representante permanente no país ou pelo seu enviado especial, Joaquim Chissano, tem imensas responsabilidade no que está a acontecer e, sobretudo, no que vai acontecer.
Quanto a Portugal, já para não falar nesse pigmeu que dá pelo nome de CPLP, vai vestir a pele de cordeiro (no que é perito) e continuar a pedir aos pobres dos países ricos para dar aos ricos dos países pobres. Ou seja, vai mais uma vez, estar-se nas tintas para o povo guineense como, aliás, está para todos os povos lusófonos.
orlando@orlandopressroom.com

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