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Afinal só
as moscas
mudaram!

- 20-May-2005 - 17:15

Os portugueses são um povo solitário (mais de meio milhão vive sozinho), ingénuo (ainda acreditam em promessas), lixado e mal e pago (500 mil desempregados). Grande parte deles acreditava que este Governo socialista ia tripular um carro quatro por quatro, tal é a formação que muitos ministros e similares têm em conduzir verdadeiras bombas. Em cada dia que passa, os portugueses voltam a descobrir que, afinal, esta governação (tal como as anteriores) não passa de quatro por quarto. Ou seja, mais um bacanal de amigos que continuam a dizer "venham mais cinco" (do partido) para completar o regabofe, seja no Executivo ou nas empresas em que o Estado manda. Parece, mais uma vez, que os votos só serviram para mudar as moscas.

Se já era grave ver o Parlamento e o Governo cheio de políticas e de políticos acéfalos, vemos a situação piorar com a tomada de assalto feita às empresas onde o Estado/Governo tem poder de decisão, mesmo quando isso pré-figura a passagem para o sector privado. Os amigos, mesmo que tenham de se descalçar para contar até 12 (e tantos eles são), entram sempre que querem e ocupam lugares de chefia. Os outros, embora mais competentes, continuam nas listas de espera.

O Governo de José Sócrates está há pouco tempo no Poder mas, apesar disso, já teve tempo de sobra para mostrar o que (não) vale. Feitas as contas, vale muito pouco. Ele e os seus deputados preferem ser arruinado pelo elogio a serem salvos pela crítica. Continuam a contratar mercenários para vencer uma guerra que só poderá ser ganha quando o primado da competência substituir o pujante primado da subserviência, do tráfico de influência e da corrupção. Continua, ao fim e ao cabo da mesma form do que todos os outros, a passar um atestado de menoridade aos portugueses na esperança, é claro, de que no ano das eleições as migalhas façam esquecer tudo.

Mesmo as novas gerações de políticos, e o PS tem alguns, não escapam a este defeito de fabrico. Quase todos eles não sabem fazer mais nada do que, a mando de quem manda, dizer mal das ideias dos outros e avançar com a teoria de que é preciso pôr em prática a tese do olho por olho, dente por dente... amigos ao poder. É isso que lhes pedem Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Ribeiro e Castro, José Sócrates e Marques Mendes. E nenhum deles se lembra que, a ir para a frente essa tese, os portugueses acabarão todos cegos e desdentados.

Creio que os políticos portugueses têm alguma dificuldade em descer (ou subir) até ao Povo. Salvo nos períodos eleitorais, onde até os vemos a beijar crianças sujas de miséria, os políticos passam ao lado do (dito e maltratado) país real.

Mais uma vez (desculpem lá a insistência) se verifica que os milhões que têm pouco só interessam quando vão depositar o voto. Fora disso, é claro, o que conta são os poucos que têm milhões.

Um dia destes eles (eles, os milhões de portugueses que estão fartos de ser usados e abusados) vão dizer basta. Nessa altura o que estará em perigo, e estará mesmo - podem ter a certeza, será a democracia. Creio, por isso, que quando os portugueses tiverem de escolher entre uma ditadura de barriga cheia e uma democracia com ela vazia, não terão grandes dúvidas.

Porque é fácil, barato e dá milhões, os democratas da praça portuguesa não estão interessados em falar destas questões. Acreditam que o Povo tem memória curta. E tem. É curta mas existe. E não será difícil recordar que, feitas as contas, continuam num regime de mediocridade, de fraudes, de injustiças, de corrupção e de nepotismo.

Ao que parece, ao que me parece, os políticos portugueses não olham para o Povo. Não olham, não ouvem, não lêem o que o Povo diz. Por isso, creio, estão a fornecer ao Povo a corda com que Ele vai, mais dia menos dia, enforcar esses mesmos políticos.

orlando@orlandopressroom.com


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