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  Brasil
Tribunal de Nampula inicia julgamento de morte de missionária
- 2-Jun-2005 - 15:05


O Tribunal Judicial de Nampula, norte de Moçambique, iniciou esta semana o julgamento de um pastor luterano e de um guarda acusados de envolvimento na morte a 21 de Fevereiro de 2004 da religiosa brasileira Doraci Edinger.


A religiosa, 53 anos, que pertencia à Igreja Evangélica Luterana de Moçambique, foi assassinada no seu apartamento, na cidade de Nampula, tendo sido detidos vários suspeitos relacionados com o caso, dos quais apenas dois estão a ser julgados.

Na acusação lida no primeiro dia do julgamento, o Ministério Público atribui ao pastor moçambicano Rodrigues Francisco a autoria moral do homicídio, por alegado "ódio e rancor" contra a missionária.

Ainda de acordo com a acusação, Francisco terá feito ameaças de morte contra Doraci Edinger, uma das quais através de uma carta em que prometia "derramamento de sangue".

Confrontado com essas alegações, o pastor negou qualquer responsabilidade na morte da missionária, mas reconheceu ter assinado um abaixo-assinado de fiéis da igreja luterana em Nampula em que contestavam o alegado mau relacionamento de Doraci Edinger com os crentes da congregação.

"O meu mal foi ter assinado essa carta, mas reconheci o erro e pedi desculpas num encontro de reconciliação promovido pela igreja na África do Sul", afirmou Rodrigues Francisco.

O Ministério Público sustenta, no entanto, que as ameaças à religiosa levaram à sua morte por um indivíduo não identificado.

Quanto ao guarda do prédio onde vivia a missionária brasileira, a sua alegada participação no crime está relacionada com o facto de ter pretensamente abandonado o seu posto de trabalho, para facilitar a entrada do executante da morte da missionária, que ainda não foi identificado.

"Não vi ninguém a entrar no prédio com um martelo", afirmou Matavela Sicola.

Entretanto, as sessões de julgamento, foram interrompidas a pedido da defesa, para a realização de mais diligências e a notificação de um pastor brasileiro, que a defesa pretende arrolar como declarante.


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