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Défice moral é coisa sem importância
- 4-Jun-2005 - 17:33
O ministro das Finanças de Portugal, de seu nome Luís Campos e Cunha, acumula os 6.759 euros mensais de vencimento como governante a uma reforma superior a 114.000 euros anuais, que obteve depois de seis anos consecutivos como vice-governador do Banco de Portugal. Faz ele muito bem. Não há défice moral que afecte o Governo de José Sócrates. É legal e pouca treta. Se fosse para perder algum dos privilégios Campos e Cunha nunca tinha ido para a equipa socialista. Aliás, socialisticamente falando, os outros que paguem a crise.
"Há um princípio ético que é incontornável: os exemplos têm de vir de cima”, afirmou o líder parlamentar do PSD, Luís Marques Guedes. Importa recordar que “têm de vir de cima”, seja qual for o governo e não sei, não sei mesmo, se o PSD pode atrirar a primeira pedra
O PCP foi mais claro e manifestou a sua indignação sobre este caso citando um provérbio popular: "Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz".
"É inadmissível, sobretudo num momento em que aos portugueses são impostas limitações no seu direito à reforma", considerou o deputado do PCP António Filipe, sublinhando que este caso é uma prova de que "os sacrifícios pedidos pelo Governo não são para todos".
É verdade. Contudo, não sei, não sei mesmo, se o PCP pode atrirar a primeira pedra.
O Bloco de Esquerda, através do deputado João Teixeira Lopes, foi ainda mais longe, considerando que o ministro das Finanças "não tem perfil ético" para impor medidas restritivas aos portugueses e comparando este caso ao do presidente do Governo regional da Madeira Alberto João Jardim (que acumula reforma e vencimento), anteriormente criticado pelo PS.
É verdade. Contudo, não sei, não sei mesmo, se o BE pode atrirar a primeira pedra.
O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Melo, recusou-se a pessoalizar a questão, mas lançou um desafio implícito ao ministro para que renuncie à reforma, lembrando que todos os membros do Governo aprovaram as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro de acabar com "privilégios injustificados" da classe política.
"Não quero acreditar que ministros que aprovaram essa iniciativa e que têm esses privilégios injustificados queiram continuar a ser deles beneficiários. Certamente que a eles renunciarão", afirmou Nuno Melo.
Não sei, não sei mesmo, se o CDS pode atrirar a primeira pedra.
E se não sei se PSD, PCP, BE e CDS podem atirar a primeira pedra, tenho a certeza que, por manifesto défice moral, o PS não a pode atirar, tantos são (como aos poucos se vai sabendo) os seus telhados de vidro.
orlando@orlandopressroom.com

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