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Angola: o sangue, o luto e as lágrimas seguem dentro de momentos?
- 8-Jun-2005 - 16:48


O não (com N maiúsculo) de alguns imbindas à nomeação de Dom Filomeno Vieira Dias em substituição de Sua reverendíssima Dom Paulino Madeca é sinal de que o sentimento independentista em Cabinda vai-se cristalizando a cada dia que passa sem que José Eduardo dos Santos (JES) e “sus muchachos” consigam dar a volta por cima.


Mais: se ainda não atingiu, a verdade é que «o caso Cabinda» pode atingir o fundo do poço político da República de Angola a qualquer momento devido aos interesses de alguns países do Ocidente.

A evidência disso está nas recentes manifestações de alguns locais contra representantes da hierarquia da Igreja Católica, que se fizeram presentes em Cabinda com o propósito de apelar ao bom senso dos manifestantes.

Os levantamentos que aconteceram em Cabinda (a “menina” que em 1885, de livre e espontânea vontade de alguns dos seus barões, caucionada pelo Tratado de Simulambuco, quis ser Angola) merecem uma atenção especial por parte do Governo.

Porém, não é o que tem acontecido.

Ora, tal como a UNITA nos idos de 1973/4, a FLEC tem sido ignorada e as suas acções literalmente minimizadas pelo Palácio da Cidade Alta (quem sente na pele e na alma o sofrimento do que se passa em Cabinda é o povo).

É necessário que o Governo dê mostras de querer resolver o problema de Cabinda.
Se tal não acontecer, corremos o risco de voltar a ter uma outra guerra de guerrilha, cujo resultado já é conhecido: sangue, lágrimas e luto.

Ora, não é isso que o povo quer!

Mas é isso, embora não o admitam de forma explícita, clara e publicamente – que alguns políticos e generais pretendem por mais nada saberem fazer senão premir o gatilho e à pala da guerra fazerem negócios de todo o tipo para engordarem as suas contas bancárias na África do Sul, Brasil, Suiça, Estados Unidos da América (EUA) ou ainda Portugal.

É que se o Governo não chamar a FLEC à razão, correremos o risco de termos uma pequena Eritreia em Angola com todos os riscos daí decorrentes: sangue, lágrimas e luto.

A continuar-se a ignorar o que se passa em Cabinda, mormente no domínio dos Direitos Humanos, então veremos com os olhos banhados de lágrimas que a proeza e orgulho de 22 de Fevereiro de 2002 a transformar-se num drama que poderá voltar a incendiar o País, que ainda mal enxugou o pranto resultante dos combates que durante largos anos opôs o Governo à então UNITA armada.


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