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Entrevista
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Morreu o antigo primeiro-mnistro, Vasco Gonçalves
- 11-Jun-2005 - 23:51
O antigo primeiro-ministro Vasco Gonçalves, que morreu hoje, aos 83 anos, quando nadava numa piscina em Almancil, Algarve, foi recordado por vários políticos portugueses, mesmo aqueles que se lhe opuseram, como «um homem de ideais».
O Estado-Maior do Exército está a tratar da sua trasladação para Lisboa e das cerimónias fúnebres, cuja data ainda não foi marcada.
Vasco Gonçalves, que integrou a Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA), chefiou os II, III, IV e V Governos Provisórios, em 1974 e 1975.
Entre as várias áreas a que o seu nome ficou ligado, destacam- se a nacionalização da Banca (e por consequência várias empresas, nomeadamente da Comunicação Social), e a Reforma Agrária.
Passou à reserva em 15 de Dezembro de 1975, depois do Conselho da Revolução o demitir por razões políticas.
Acusado pelos seus opositores de ser próximo do Partido Comunista Português (PCP), Vasco Gonçalves acabaria por ser afastado da política activa sob a acusação genérica de incumprimento do ideário do MFA.
Numa entrevista recente, reafirmara os ideais socialistas com que governou Portugal há 30 anos, embora admitisse a dificuldade de manter a via que então procurou trilhar devido ao contexto internacional.
"O meu Governo não era de maneira nenhuma um conjunto de pessoas com tendências totalitárias, como éramos acusados. O socialismo para o qual estávamos a caminhar tinha características nitidamente nossas. Surgiu espontaneamente ao longo do processo", disse nessa entrevista ao Público, a 25 de Abril passado.
Na entrevista, que assinalou os 30 anos das eleições para a Assembleia Constituinte, o primeiro-ministro de quatro governos provisórios durante o período revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 considerou que o país vive actualmente sob "uma ditadura da burguesia de fachada democrática".
"Isto é uma sociedade de barbárie", adiantou noutro passo da entrevista. "Penso que existe uma alternativa para o homem, mas a maioria das pessoas não compreendeu ainda que essa alternativa é entre a barbárie e o socialismo".
O Presidente da República, Jorge Sampaio, lamentando a morte de Vasco Gonçalves, lembrou hoje que ele "marcou profundamente com a sua personalidade" um período "muito conturbado" da história recente de Portugal.
Por seu lado, o primeiro-ministro, José Sócrates, descreveu-o como "um homem de convicções e de ideais" que governou "num período difícil e conturbado da construção do regime democrático".
O ex-Presidente da República Mário Soares, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros do II Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves, descreveu-o como um homem "afável", que marcou a primeira fase da "Revolução dos Cravos".
"Tinha uma concepção acerca do mundo e do que era útil e interessante para Portugal. Uma concepção que, obviamente, era diferente da minha, o que se tornou patente a partir do IV Governo Provisório", disse Mário Soares, em declarações à TSF.
João Cravinho, dirigente socialista que integrou também um dos Governos de Vasco Gonçalves, referiu-se a ele como uma pessoa que "acreditava no que pensava e fazia as coisas com convicção".
"Lembro-me do general Vasco Gonçalves como um homem coerente, sincero, límpido nas suas ideias", disse à Agência Lusa João Cravinho, ministro da Indústria e da Tecnologia do IV Governo Provisório.
Apesar de reconhecer que "teria sido mau para o País" se as ideias de Vasco Gonçalves "tivessem triunfado", João Cravinho recusou, contudo, a ideia de que fosse um "conspirador".
"Não era um conspirador, um manipulador. Era um idealista", afirmou João Cravinho, que acompanhou a actividade de Vasco Gonçalves desde o 25 de Abril.
Para o coronel Vasco Lourenço, seu antigo companheiro de Armas e do MFA, o general Vasco Gonçalves foi "um patriota que se entregou de alma e coração aos ideais em que acreditou".
Falando em nome da Associação 25 de Abril, de que é presidente, Vasco Lourenço lamentou "profundamente a morte do amigo", salientando que apesar de terem, por vezes, experimentado algumas divergências, a amizade manteve-se sempre.
Para Vasco Lourenço, o ex-primeiro-ministro foi "um patriota que se entregou de corpo inteiro aos ideais em que acreditou - uma sociedade mais justa, mais igualitária, uma sociedade melhor para Portugal e todos os portugueses".
Também o Partido Socialista, pela voz do seu líder parlamentar, Alberto Martins, elogiou a "grande coerência e dimensão cívica" de Vasco Gonçalves, salientando que era "um homem do 25 de Abril".
Foi "uma grande figura da nossa História moderna", sublinhou Alberto Martins, considerando-o "uma figura polémica em que muitos portugueses se reconheceram, do qual divergimos muitas vezes, mas a quem reconhecemos a grande coerência e dimensão cívica".
O secretário-geral do PSD, Miguel Macedo, recordou-o como "um militar de Abril", apesar das "mais vivas discordâncias" que a sua política mereceu aos sociais-democratas.
"Teve um trajecto que mereceu sempre as nossas mais vivas discordâncias, mas em quaisquer circunstâncias ocupou cargos de Estado da mais alta importância e, nessa medida, prestamos a nossa homenagem", acrescentou.
Paulo Núncio, porta-voz do CDS-PP, apresentou em nome do partido os sentimentos à família do antigo primeiro-ministro, recordando, contudo, que o general esteve associado a "um período terrível da história".
"Apresento, em nome do CDS-PP, os sentimentos à família do general Vasco Gonçalves. Mas temos que recordar que Vasco Gonçalves esteve associado a um período terrível da história, que nenhum democrata gosta de lembrar", disse o porta-voz democrata-cristão.
Para o Secretariado do Comité Central do PCP, Vasco Gonçalves «foi o fiel intérprete dos ideais de liberdade, de justiça social, de solidariedade, de fraternidade - dos ideais de Abril».
Vasco Gonçalves está ligado, segundo o PCP, a «um processo que se traduziu em importantes e significativos avanços económicos, políticos, sociais, culturais, civilizacionais», em que se iniciou «a construção de uma «democracia avançada».
O dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Francisco Louçã, destacou a "coerência de opiniões" de Vasco Gonçalves.
"Foi um homem coerente com as suas opiniões, que não as abandonou por comodismo ou cinismo", acentuou.
A dirigente do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) Manuela Cunha elogiou também o "contributo incomparável" dado a Portugal por Vasco Gonçalves.
"Foi um homem que marcou uma geração e que quis que este país tivesse uma melhor qualidade de vida", afirmou Manuela Cunha, lembrando que, apesar de ser uma jovem na altura da sua governação e de viver em França, nutria por Vasco Gonçalves "um respeito enorme".

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