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  Cabo Verde
Cinco presidentes, dois interinos, em 32 anos de independência
- 15-Jun-2005 - 15:47


As eleições presidenciais do próximo domingo na Guiné-Bissau vão permitir eleger o sexto presidente em 32 anos de independência, embora dois deles tenham exercido o cargo interinamente.


O empresário Henrique Rosa tornou-se a 28 de Setembro de 2003 o segundo presidente interino da Guiné-Bissau, país que já teve três chefes de Estado derrubados por golpes militares.

Henrique Rosa, 56 anos, próximo da Igreja Católica, foi empossado no cargo pelo general Veríssimo Seabra, líder do Comité Militar para a Restituição da Ordem Constitucional e Democrática (CMROCD), que, através do golpe de Estado de 14 de Setembro de 2003, derrubou o regime de Kumba Ialá.

Após o golpe, Veríssimo Seabra, na altura chefe do Estado- Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), auto-proclamou-se presidente da Guiné-Bissau, cargo que ocupou apenas durante 14 dias, até à tomada de posse de Henrique Rosa.

O primeiro presidente da Guiné-Bissau foi Luís Cabral - irmão do "pai" da independência da Guiné e Cabo Verde, Amílcar Cabral -, que presidiu o país entre 24 de Setembro de 1973 (data da declaração unilateral da independência, reconhecida "de jure" por Portugal a 10 Setembro do ano seguinte) e 14 de Novembro de 1980.

Nesse dia, João Bernardo "Nino" Vieira juntou alguns militares e, aproveitando a ausência do presidente em Bubaque, no arquipélago dos Bijagós, tomou o poder através de um golpe de Estado, que ficaria localmente conhecido por "Movimento Reajustador".

No entanto, já legitimado pelas urnas nas presidenciais de 1994, "Nino" Vieira foi confrontado, a 07 de Junho de 1998, com uma sublevação militar que terminou 11 meses depois, a 07 de Maio de 1999, com a deposição do presidente.

A 14 de Maio do mesmo ano, sete dias após "Nino" Vieira se ter refugiado na Embaixada de Portugal em Bissau, prenúncio da partida para o exílio, Malam Bacai Sanhá, então segunda figura do Estado, assumiu interinamente a presidência da Guiné-Bissau, até à realização de eleições gerais - legislativas e 1¦ volta das presidenciais - a 28 de Novembro de 1999.

Kumba Ialá, que já havia obrigado "Nino" Vieira a disputar uma segunda volta nas presidenciais de 1994, viria a vencer as eleições, também no segundo turno, ao derrotar Bacai Sanhá, candidato do PAIGC, por uma larga margem (72 por cento), tornando-se, assim, o terceiro chefe de Estado do país.


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