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Henrique Rosa - Um presidente para recordar
- 16-Jun-2005 - 15:12


O presidente cessante guineense é um homem discreto, ex-empresário de reconhecidos méritos, devoto da minoritária Igreja Católica da Guiné-Bissau e revelou-se, dizem os políticos, um chefe de Estado "hábil" na gestão das sucessivas e conflituosas crises políticas.


Por José Sousa Dias
da Agência Lusa

Após o golpe de Estado de 14 de Setembro de 2003, em que o regime de Kumba Ialá foi destituído, nunca pensou em ser escolhido para chefiar a Guiné-Bissau, pois da política já há muito se tinha afastado.

Dez anos antes, em 1993, foi também com surpresa que o então empresário fora igualmente surpreendido com o convite para presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), cargo que, pouco depois, deixaria por, tal como confessou à Agência Lusa, não gostar de "intrigas".

Na altura, decorria a fase de crescimento dos partidos - a abertura política ocorrera dois anos antes, em 1991 - e perspectivavam- se as primeiras eleições gerais multipartidárias no país, que viriam a realizar-se em Julho de 1994.

Apesar dos sucessivos convites feitos pelas novas forças políticas, nunca aceitou integrá-las, preferindo o seu pequeno comércio de "import-export", sempre discreto, sempre delicado, com uma profunda ligação à Igreja e sobretudo ao falecido bispo de Bissau, D. Septímio Ferrazetta, de quem era bastante amigo e que o "empurrou" para a presidência.

Sofreu como todos os empresários, tanto os grandes como os pequenos, com os 11 meses de conflito militar que assolou a Guiné- Bissau entre 07 de Junho de 1998 e 07 de Maio de 1999, que depauperou um país em que, apesar de tudo, aos poucos, começava a ganhar embalagem para o desenvolvimento.

Henrique Rosa, 59 anos e natural de Bafatá, 150 quilómetros a leste de Bissau, permaneceu na capital guineense e só daí saía para se deslocar, raramente, à sua "ponta" (quinta) próximo de Quinhamel, onde dava instruções sobre a produção do caju e de mangas.

Após o conflito, e sempre afastado dos círculos de poder, embora sempre presente pois Bissau é uma cidade relativamente pequena, retomou a sua actividade comercial em pleno centro da capital guineense quando Kumba Ialá assume o poder, em 2000.

Três anos mais tarde, surge, surpreendentemente, como "segunda escolha" para a presidência interina do país, cargo que assumiu a 28 de Setembro de 2003, após longas e morosas negociações com os golpistas e contra-golpistas, mas na condição de só lá permanecer durante o período de transição.

Desde então, foi a face da Guiné-Bissau para o exterior. Não foi por acaso que a sua figura foi escolhida, pois Veríssimo Correia Seabra, líder do Comité Militar que derrubou Kumba Ialá, sabia que o país necessitava de uma cara nova para o representar junto da comunidade internacional.

Depois de Kumba Ialá, que perdera totalmente a sua credibilidade no exterior, sobretudo junto da grande maioria dos seus pares africanos, que o acusaram publicamente de ser um "tolo", Henrique Rosa abriu o jogo e a sua simpatia natural quebrou os inúmeros tabus internos e externos.

Calmo e ponderado, precisamente o contrário de Kumba Ialá, impressionou rapidamente os seus homólogos estrangeiros e as organizações internacionais, que já indiciavam estarem "fartos" das sucessivas crises guineenses e, tal como então disse à Lusa o presidente do Gabão, Omar Bongo, dos seus "sucessivos disparates".

Reconquistada a confiança internacional, embora a muito custo, faltava ajudar a retomar a estabilidade interna, em que, apoiado por um "staff" que escolheu a dedo, sem imposições, tentou impor o diálogo e a concertação como chave para ultrapassar as profundas divergências políticas e militares que têm sido sempre o grande problema do país.

Trabalhou activamente nesse sentido com Veríssimo Correia Seabra, em quem depositava grande confiança e foi com sentido de Estado que assistiu, incrédulo, à sua morte, na sublevação militar de 06 de Outubro de 2004, pondo água na fervura, enquando outros, com os ânimos mais exacerbados, inclusive no próprio governo, exigiam sangue.

Revoltado com os acontecimentos acabou, contudo, por negociar com os sublevados e conseguiu, em vários "últimos minutos", evitar sempre o pior, quando o clima de tensão que se vivia então no país indiciava que novo conflito militar poderia eclodir, ao mesmo tempo que nunca perdeu o hábito de ir às compras sozinho nos mercados de Bissau, sobretudo aos domingos de manhã.

Contou com a preciosa ajuda também dos chefes de estado da sub- região, nomeadamente do seu homólogo nigeriano, um aliado de peso que viria a tornar-se decisivo quando ascendeu à presidência da União Africana (UA), sucedendo ao moçambicano Joaquim Chissano.

Apelos constantes à ajuda da comunidade internacional, que prontamente o acudia, e ao bom senso e respeito entre os políticos e militares guineenses, nem sempre acatados, permitiram, contudo, mais uma vez, evitar sempre o pior.

Lançava as questões essenciais quando queria suscitar um debate saudável e foi por essa razão que, mal compreendido, inclusive pelos jornalistas, criou propositadamente o tabu de poder concorrer às eleições presidenciais previstas para 2005.

Depois disso, calou-se e nunca mais falou no assunto, tendo o mérito de obrigar os vários "leões" a saírem da toca para começarem a debater o tema presidenciais muito antes de estarem sequer preparados.

Seguro nas suas decisões - a mais recente teve a ver com a recusa às sucessivas pressões para marcar a data das eleições sem que houvesse um mínimo de garantias de se concretizarem -, nunca interferiu directamente nos assuntos do governo, mesmo tendo essa competência e direito que a actual Constituição lhe confere, algo a que a Guiné-Bissau nunca assistira.

O respeito foi tão grande que até o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, líder Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), não deixou escapar a sua desilusão quando, depois de lançado o debate sobre as presidenciais, lamentou que Henrique Rosa não pertencesse ao antigo partido único para o apresentar como candidato.

Dos líderes mais radicais, nomeadamente do Partido da Renovação Social (PRS, maior da oposição), sofreu grandes pressões políticas, depois de ouvir frequentemente que a política era para os políticos e não para "civis". Nunca reagiu e nunca se o ouviu a dizer publicamente mal de ninguém.

No entanto, mesmo os que o acusaram no passado de não ter "habilidade política", hoje congratulam-se por Henrique Rosa ter levado a Guiné-Bissau a bom porto, sem novas guerras e sempre defendendo a via do diálogo e da concertação.

Ainda nem todos os guineenses têm direito a uma refeição por dia - defendeu após ser empossado, a ideia de que um guineense com fome não vota em consciência -, mas a comunidade internacional já se rendeu a Henrique Rosa, quando afirma que foi o "civil" que, afinal, mostrou aos "políticos" como se preside um país.

"A Guiné-Bissau não terá, tão cedo, um presidente como Henrique Rosa", comentaram Obasanjo e Chissano, mas a frase foi também proferida pelos chefes de Estado da Gâmbia, Yahia Jammeh, Togo, John Kufuor, e Níger, Mamadou Tandja.

No mesmo grupo de admiradores contam-se ainda, entre outros, os sucessivos enviados do secretário-geral da ONU e os líderes da União Africana (UA) e União Europeia (UE), e os vice-presidentes do Banco Mundial (BM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).


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