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A aritmética do voto étnico nas presidenciais
- 25-Jun-2005 - 15:29

O factor étnico foi, como nunca, o aspecto determinante nos resultados da primeira volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, com os três primeiros classificados a somarem grandes números nas zonas da sua origem.


Por Mussá Baldé
da Agência Lusa

Malam Bacai Sanhá e João Bernardo "Nino" Vieira, os dois que vão disputar a segunda volta em Julho, e Kumba Ialá ganharam por larga margem nas zonas de predominância das suas etnias, deixando claro que falou alto a solidariedade tribal.

A título de exemplo, Bacai Sanhá, de etnia Beafada (uma das linhagens dos Mandingas da Guiné-Bissau), obteve quase metade dos votos em disputa na região de Quínara (sul), localidade de maior concentração de indivíduos dessa etnia no país, contra apenas 10 por cento de "Nino" Vieira, da etnia Papel.

No lado oposto, "Nino" Vieira, que se apresenta como independente, arrecadou 68 por cento dos votos na região de Biombo (interior Norte), considerado santuário dos Papéis, enquanto que, na mesma zona, Bacai Sanhá, apoiado pelo governamental PAIGC, apenas somou pouco mais que 7 por cento.

Por seu lado, Kumba Ialá (Balanta) bateu tudo e todos na região central de Oio, somando mais de 45 por cento dos votos.

Depois do Sector Autónomo de Bissau, a região de Oio é aquela que conta com maior número de eleitores, cerca de 82 mil.

No entanto, os sectores de Nhacra, Mansoa e Bissorã são zonas tradicionalmente habitadas pelos Balantas, que são a base de apoio de Kumba Ialá, em que este candidato somou também importantes resultados.

Ainda nesta região, e para contrabalançar o peso de Kumba Ialá, o candidato do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) contou com os apoios dos Mandingas dessa zona - também designados Oincas - para lograr juntar ao seu resultado cerca de 40 por cento dos votos.

Atrás dos Balantas, os Oincas são outros dos habitantes da região de Oio.

A etnicização do voto na Guiné-Bissau foi, em jeito de crítica, já sublinhado por Francisco Fadul e Iaia Djaló, candidatos que, respectivamente, ficaram na quarta e sexta posições na tabela geral final.

Francisco Fadul, líder e candidato do Partido Unido Social- Democrata (PUSD), é filho de pai libanês e de mãe guineense, enquanto Iaia Djaló é fula, mas com reconhecida visão ocidentalizada, e ambos apontaram o sentimento de pertença étnica como um "perigo" para a construção do edifício democrático guineense.

No entanto, a aritmética do previsível cenário eleitoral guineense ganha outros contornos quando entram na equação o voto dos Fulas e também os candidatos desta etnia que, regra geral, são sempre muitos.

As regiões de Bafatá e Gabu, no leste do país, são as zonas de maior concentração desse povo, até há bem pouco tempo afastado das lutas pelo poder político.

Apesar de se ter mantido sempre nos bastidores, o protagonismo dos Fulas tem, ultimamente, vindo a aumentar na hora da decisão eleitoral.

Somadas, as duas regiões valem 140 mil votos, mais de 25 por cento do universo eleitoral, facto que tem permitido a proliferação dos candidatos de etnia Fula que, no seu dia a dia, recorrem pura e simplesmente àquilo que é a sua tradição secular: o comércio.

Não é por acaso que sempre que se fala de compra e venda de votos, as duas regiões são apontadas como o principal palco desse cenário que a lei eleitoral guineense considera um "delito eleitoral".

No entanto, nas duas regiões, e a par da "compra da consciência de voto", o factor carisma também foi chamado para a escolha do futuro presidente guineense.

Aí, claramente, "Nino" Vieira e Bacai Sanha foram os que mais somaram votos. "Nino" Vieira bateu Bacai Sanhá em Gabu, obtendo mais de 41 por cento dos votos, enquanto o candidato do partido governamental se quedou pelos 34 por cento.

Curiosamente, Bacai Sanhá não conseguiu bater "Nino" Vieira em Gabu, região onde até esteve como governador durante largos anos ao longo das décadas de 1980 e 1990.

Em contrapartida, Bacai Sanhá desforrou-se em Bafatá, berço do "pai" da nacionalidade guineense, Amílcar Cabral, obtendo quase 39 por cento dos votos, contra 34 por cento do seu rival para a segunda volta.

Em Bissau, onde o factor étnico é heterogéneo, repartido por uma cidade que alberga cerca de um terço da população, os resultados demonstraram um outro factor: o trauma da guerra civil de 1998/99, em que "Nino" Vieira é ainda responsabilizado pelos crimes então cometidos.

Na capital guineense, acabou por ser Bacai Sanhá quem, naturalmente, venceu a votação, ao arrecadar mais de 40 por cento dos votos.

Apesar disso, "Nino" Vieira acabou por conseguir obter ainda quase 30 por cento dos votos, superando Kumba Ialá, que se quedou pelos 20 por cento.

É por isso que analistas da política guineense consideram que, mais do que o carisma, dois factores serão decisivos para a vitória na segunda volta entre Malam Bacai Sanha e "Nino" Vieira: o entendimento com Kumba Ialá para cativar o voto Balanta e o dinheiro que cada um deles conseguir "injectar" junto dos Fulas da zona leste.


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