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O «bastardo» (para não dizer filho da...) voltou a atacar
- 4-Jul-2005 - 20:10
"Portugal já está sujeito à concorrência de países fora da Europa, os chineses estão a entrar por aí dentro, os indianos a entrar por aí dentro e os países de Leste a fazer concorrência a Portugal... Estão aí uns chineses? É mesmo bom para eles ouvirem, porque eu não os quero aqui". Quem mais poderia ter dito isto a não ser um “bastardo”, para não dizer “filho da...”?
Por Orlando Castro
As sssociações representativas dos imigrantes em Portugal condenaram hoje as declarações do presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, sobre a entrada de estrangeiros na região, considerando-as "racistas e xenófobas".
O presidente da Liga dos Chineses em Portugal, Chow y Ping, afirmou conhecer "bem as ideias racistas e xenófobas" de Alberto João Jardim e lamentou "não ter suficiente força política para o levar" à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (COCDR), da qual faz parte.
Alberto João Jardim "é o rei da Madeira, que comparo com o presidente da minha aldeia", afirmou o mesmo responsável, adiantando que "em tempos difíceis está a arranjar um bode expiatório para desviar a atenção da opinião pública de assuntos bem mais graves e importantes".
Sublinhou que apesar de dizer que "não gosta, nem quer os chineses na Madeira", Alberto João Jardim "vai comprar e utilizar muitos produtos chineses para continuar a conquistar os seus eleitores nas próximas eleições".
Também o presidente da Solidariedade Imigrante, Timóteo Macedo, classificou de "xenófobas" as declarações do presidente do Governo Regional da Madeira e considerou que em "nada contribuem para a política de imigração que se pretende implementar em Portugal", com destaque para a integração e a solidariedade.
"Já estamos habituados a este tipo de afirmações irresponsáveis", disse Timóteo Macedo, adiantando que os imigrantes "não vêm competir com ninguém".
Destacou que "que chegam a Portugal para colmatar necessidades que existem em vários sectores de actividade e fazer o trabalho que os portugueses não querem".
Por sua vez, a presidente da Associação dos Imigrantes Russófonos - Respublika, Elena Liachtchenko, considerou que as declarações são "ridículas" e "só demonstram a fraqueza do líder do Governo Regional da Madeira".
"Se estivesse tudo bem, Alberto João Jardim não fazia este tipo de declarações que são um pedido de ajuda a Lisboa", disse Elena Liachtchenko.
Para a mesma responsável, o que Alberto João Jardim merecia é que "os madeirenses também fossem impedidos de entrar na China, na Índia ou em países da Europa de Leste".
orlando@orlandopressroom.com
04.07.2005

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