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Será Freitas o ministro que se segue?
- 20-Jul-2005 - 23:48
O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, já está ao fim de cinco meses a contas com a primeira baixa em combate. Diplomaticamente, o ministro de Estado e das Finanças, Campos e Cunha, disse estar cansado, ter motivos pessoais e familiares para bater com a porta. Quem será o senhor que se segue? Talvez Freitas do Amaral, um super ministro que não se cansa de dar tiros nos pés... de Sócrates e que até tem a lata de, num antro de corrupção (Luanda), dizer que nessa matéria Portugal não pode dar lições a ninguém. Das duas uma, num Estado de Direito ou Freitas vai pregar para outro lado (mesmo alegando motivos pessoais, familiares e cansaço) ou o primeiro-ministro deve demitir-se. Mas como tudo isto se passa em Portugal...
Por Orlando Castro
Recorde-se que o fundador do CDS aceitou o convite para integrar o Governo de José Sócrates porque, segundo as suas palavras, "o país precisa de todos". E por precisar de todos...
Depois do CDS, Freitas apelou ao voto no PSD mas como Durão Barroso não lhe deu um tacho, virou-se para o PS e recebeu a recompensa. Como o que ele quer é ter acesso à gamela, fará certamente no futuro um apelo ao voto no Bloco de Esquerda. Ao que isto chegou!
O ex-presidente do CDS e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do XVII Governo Constitucional (Sócrates é, afinal, um mãos largas) diz que "há momentos em que o país precisa do contributo especial de alguns para o bem comum de todos".
Freitas do Amaral esteve quase sempre ao lado dos poucos que têm milhões e não, importa recordar, dos milhões que têm pouco. Falar do “contributo especial de alguns” é passar um atestado de estupidez aos portugueses.
"Não estamos em altura de virar as costas ou de encolher os ombros, mas no momento exacto de dar a cara", diz Diogo Freitas do Amaral.
Virar as costas? Mas não foi isso que Freitas fez ao CDS e ao PSD? Dar a cara? Quem tem várias não terá, com certeza, dificuldade em dar uma hoje pelo PS e outra amanhã pelo PCP ou pelo Bloco de Esquerda.
Quanto ao futuro primeiro-ministro de Portugal, Freitas do Amaral considera que Sócrates "já está a dar provas públicas de serenidade, firmeza e grande discernimento".
Pois. Até ver é preciso não cuspir no prato que dá a comida. Pelo menos até que novos tachos surjam no horizonte. É por isso que nunca diz nunca...
Mas, se calhar, este é o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e quem sabe candidato ao lugar de Jorge Sampaio que os portugueses merecem. Viram-no atacar forte e feio, ao lado de Francisco Louçã, os EUA pela guerra no Iraque. Viram-no ser mais radical do que o líder do Bloco de Esquerda. Estão agora a vê-lo dizer em Angola que Portugal não é exemplo para ninguém em matéria de corrupção (Eduardo dos Santos riu-se à farta).
Mesmo assim elegeram-no. Agora comam e calem-se. Os que votaram no PS, é bom de ver.
orlando@orlandopressroom.com
20.07.2005

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