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  Cabo Verde
Cabo-verdianos em Moçambique só pensam em voltar para casa
- 22-Jul-2005 - 16:04


O sonho de uma vida "repleta de amor e paixão" junto de um régulo moçambicano levou a cabo-verdiana Ofélia a emigrar, em 1964, para Moçambique, onde hoje vive num dos bairros mais miseráveis de Maputo.


Por Manuel Matola
da Agência Lusa

A busca de conforto em Moçambique, após anos de sofrimento na roça Porta Figo, em São Tomé e Príncipe, onde trabalhava como contratada no plantio de café e cacau, na década de 60, foi a principal razão que a levou a aceitar o convite do seu ex-companheiro moçambicano.

Depois, o sonho ruiu e, agora, "o único desejo é voltar para casa".

"Hoje só rezo a Deus para levar-me de volta a Cabo Verde, porque o sofrimento aqui é muito, já não aguento mais", lamenta Ofélia, viúva e mãe de oito filhos, alguns dos quais residem na África do Sul e que "às vezes" lhe dão assistência.

Com um rendimento mensal de 20 dólares, doados pela embaixada de Cabo Verde em Maputo, Ofélia faz "todo o esforço" para sobreviver com os seus netos numa casa pré fabricada no bairro de Kongolote, arredores da capital de Moçambique.

Após separar-se do marido, um régulo já falecido e que fora deportado para a roça de Porta Figo, em São Tomé e Príncipe, Ofélia chegou a vasculhar latas de lixo para obter comida para os filhos.

"Pensei que ao vir para Moçambique a minha vida poderia melhorar, mas o aqui passei é intolerável", afirma entre lágrimas.

A perspectiva de uma vida melhor em Moçambique com que Ofélia sonhou também ruiu para Joana Cabral, sobrinha do líder histórico do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Amilcar Cabral, que viu o seu companheiro moçambicano falecer três meses após terem chegado ao país.

"Quando cheguei a Moçambique no dia 15 de Setembro de 1964, na companhia do meu ex-marido, um moçambicano, não sabia que estava grávida. Ele veio a falecer nas vésperas de Natal do mesmo ano, antes de nos instalarmos condignamente, por isso é que desde lá até hoje não tenho sossego na vida. Se vivo é por vontade de Deus", confessa Joana, mãe de sete filhos.

"Não sei que azar tive, mas eles são todos rebeldes, esquecem- se que tive de sacrificar a vida para os sustentar", acusa.

"Durante todos esses anos aprendi muita coisa para sobreviver: comecei por rachar a lenha, queimar carvão no mato, vendi mangas e trabalhei como doméstica, mas nada disso resultou", conta Joana.

Muitos dos cabo-verdianos residem em Moçambique desde o período colonial vivem no limiar da pobreza, abandonados pelos filhos e famílias, com ligações esquecidas à sua terra natal.

A embaixada de Cabo Verde em Moçambique entregou este mês cerca de vinte casas no bairro de Kongolote para albergar descendentes de cabo-verdianos, nomeadamente mães solteiras, como Celeste, 45 anos, quatro filhos e seropositiva.

"O meu estado de saúde não ajuda muito para procurar emprego. Neste momento sofro também de tuberculose, por isso é que vivo na base da ajuda da embaixada. Os 20 dólares têm que chegar para sustentar os meus filhos e para custear as suas despesas da escola", diz.

Moçambique alberga dois mil cabo-verdianos, maioritariamente residentes em Nampula, província do norte ainda não contemplada com apoios deste tipo pela embaixada, "por falta de verbas", segundo adiantou a encarregada de negócios de Cabo Verde.

Em declarações à Agência Lusa, Custódia Lima referiu que os critérios para atribuição de casas, mobiladas com cama, mesa e duas cadeiras, são em "função do estado de vida de cada uma das mulheres" pobres, mas a pretensão é alargar também a filhos de cabo-verdianos que vivem noutros pontos de Moçambique.

Uma das contempladas com o apoio na região de Maputo, foi Albertina Lino, 69 anos, são-tomense, naturalizada cabo-verdiana, que perdeu a anterior casa nas cheias.

"A minha vida é só de sofrimento. Após ter sido abandonada pelo meu marido, trabalhei no quintal, mas a minha patroa sugeriu que largasse o emprego porque a criança (filha) chorava muito. O meu marido deixou-me com cinco filhos, e tenho netos que devo sustentar com este valor que recebo na embaixada", afirma.

"Para sustentar os meus filhos tive de apanhar arroz na lata de lixo, mas deixei-me disso porque um dia, numa lixeira do hospital central de Maputo a minha filha comeu arroz que estava misturado com algodão que continha sangue. Ela julgava que era carne", conclui.


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