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  Cabo Verde
Duas facções do mesmo partido (PAIGC) à conquista do Poder
- 22-Jul-2005 - 23:05


A segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau, a disputar domingo, vai opor dois velhos dirigentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), apoiados por duas facções da mesma organização.


Por José Sousa Dias
da Agência Lusa

Oficialmente, o candidato do PAIGC é Malam Bacai Sanhá, antigo presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento - 1994/98) e ex-chefe de Estado interino (1999/2000) que, curiosamente, assumiu o cargo depois de "Nino" Vieira, seu adversário de domingo, ter sido afastado do poder em Maio de 1999, na sequência do conflito militar iniciado dez meses antes.

Candidato independente, João Bernardo "Nino" Vieira, ex-chefe de Estado (1980/99) e também antigo presidente do PAIGC (1980/99), conta, contudo, com o apoio de um importante naipe de dirigentes do PAIGC, antigo partido único, com destaque para o 1º vice-presidente Aristides Gomes.

De resto, Bacai Sanhá e "Nino" pertencem à mesma geração de dirigentes formados pelo PAIGC, partido da independência das antigas colónias portuguesas da Guiné e de Cabo Verde, embora "Nino" Vieira já não faça parte dos quadros partidários.

Apoiados pelas duas principais alas em que o PAIGC está fraccionado, cada uma com o apoio de antigos dirigentes que saíram para formar outros partidos, os dois candidatos tentam, a todo o custo, cativar o eleitorado de praticamente todas as "tabancas" (localidades) do país.

Se Bacai Sanhá, vencedor da primeira volta das presidenciais, em que obteve 35 por cento dos votos, conta com o apoio da grande maioria dos pequenos partidos da oposição, "Nino" Vieira faz quase o pleno das principais forças políticas representadas no parlamento.

Kumba Ialá e Francisco Fadul, terceiro e quarto classificados na primeira volta, surpreenderam tudo e todos ao declararem o apoio inequívoco ao general que ambos combateram durante o conflito militar de 1998/99.

Apesar de Fadul ser visto localmente como "factor residual", devido à fraca prestação eleitoral (não atingiu os 3 por cento de votos), Kumba Ialá que tem feito as despesas na campanha de "Nino" Vieira, graças sobretudo ao facto de contar com um quarto do eleitorado que votou a 19 de Junho.

Este factor, que de aleatório tem muito pouco, tem sido explorado até à exaustão pelos membros da campanha de "Nino" Vieira e pelos seus apoiantes, que lembram que o eleitorado de Kumba Ialá é "fixo" e que basta 80 por cento dele seguir os conselhos do antigo líder para garantir a vitória do general.

Contudo, a "maquina eleitoral" do PAIGC está a trabalhar em pleno no apoio a Bacai Sanha e os apelos à paz e tranquilidade têm surgido como "tema de capa" em quase todos os comícios e iniciativas eleitorais, na sequência de vários anos de instabilidade militar e política, numa aposta no cansaço da população em relação às sucessivas crises.

"Nino" Vieira, que se tem escusado a atacar o seu adversário na corrida presidencial, deixando as "despesas" para Kumba Ialá e Fadul, prefere explorar a ideia de que é o candidato da unidade nacional e do consenso, imagem repetidamente contrariada pela campanha de Bacai Sanhá, que o acusa de "traidor".

No entanto, o maior crítico de "Nino" Vieira não tem sido Bacai Sanhá, mas sim o presidente do PAIGC, Carlos Gomes Júnior, actualmente primeiro-ministro, que se tem desdobrado em actividades de campanha e em actos de governação, na sua maioria pequenas inaugurações, em que aproveita para "queimar" a imagem de "Nino" Vieira.

Uma cartada com impacto foi a dramatização feita em Cabo Verde por Carlos Gomes Júnior sobre o que significará uma vitória de "Nino" Vieira, sabendo de antemão que conta com o apoio declarado da comunidade internacional, nomeadamente dos principais parceiros e das instituições financeiras mundiais.

"Se Nino Vieira ganhar as eleições, demito-me", afirmou a 2 deste mês Carlos Gomes Júnior, que acusou o ex-presidente de ser "um traidor e mercenário" que, no seu entender, "traiu o seu povo", numa alusão ao conflito militar de 1998/99, em que "Nino" recorreu a tropas estrangeiras para tentar pôr cobro à rebelião de Ansumane Mané.

A afirmação, apimentada com outras em que o acusa de ser "o candidato da desgraça, do ódio e da vingança", caiu como uma bomba em Bissau e, no entender de Soares Sambu, um dos principais dirigentes do PAIGC e actual chefe da diplomacia guineense, "teve o mérito de despertar algumas consciências e de abanar a candidatura adversária", ermitindo "baralhar a aritmética do voto".

Soares Sambu referia-se explicitamente aos resultados da primeira volta, em que Bacai Sanhá obteve uma vantagem de quase 30 mil votos sobre "Nino" Vieira, num universo de cerca de 538 mil eleitores e em que mais de 111 mil votaram em Kumba Ialá.

A todas estas acusações, "Nino" Vieira não respondeu e manteve- se sereno até quarta-feira. Nesse dia, abriu o jogo e foi claro e contundente em relação a Carlos Gomes Júnior.

"Ele que comece a fazer as malas ou abandone o país. Mas antes que me devolva todos os bens que me roubou", ameaçou, enquanto Carlos Gomes Júnior se escusou a comentar, exibindo um sorriso de tranquilidade, quando instado pela Lusa.

Por seu turno, "Nino" Vieira recusou um debate público com Bacai Sanhá, alegando que o que interessa é contactar as populações, numa aposta nas acções de campanha porta a porta.

Mas, mais importante que a escolha de um presidente, está precisamente em causa o futuro do país, nomeadamente em relação aos apoios da comunidade internacional pós-eleições, condicionados à estabilidade política, militar e social.

"Nino" Vieira já afirmou publicamente que manterá o governo em funções se for eleito, mas também avisou que só o fará se o executivo corresponder às exigências do momento económico e financeiro do país, não explicando quais as condições que imporá.

Sem sondagens credíveis, as partidárias falam por si, ninguém se aventura em Bissau a prognosticar quem vencerá as presidenciais de domingo, mas é generalizado o receio entre a população de que quem perder dificilmente aceitará os resultados da votação.


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