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  Cabo Verde
As pedras, as garrafas, os chinelos e as urnas
- 24-Jul-2005 - 22:40

A segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, hoje realizada, acabou como começou, cinzenta, e com muitas dúvidas sobre quem será o vencedor e qual será a abstenção.


Por José Sousa Dias
da Agência Lusa

Mas independentemente do que se terá passado, as particularidades de qualquer acto eleitoral na Guiné-Bissau são muitas e tudo, mas tudo mesmo, serve para marcar um lugar nas filas que os eleitores formam para votar, ainda antes de abrirem as urnas.

Pedras, garrafas, chinelos, ramos de árvore, copos, tijolos e latas servem para isso mesmo. Enquanto aguardam pela abertura das mesas de voto, oficialmente às 07:00 locais (08:00 em Lisboa), os eleitores guineenses mais madrugadores já lá estão.

Em quase todas as mesas de Bissau e arredores, a cena repete- se. Confraternizam fora das filas e, de vez em quando, sempre que alguém "novo" chega, fitam a "linha" para verificar se o eleitor mais "retardado" põe a "marca" no seu devido lugar.

"Eu sou a pedra atrás daquele ramo de árvore. O quarto ou o quinto a votar", diz um eleitor ao jornalista, enquanto verifica a chegada de um outro que, olhando à sua roda, opta por mais uma pedra que coloca minuciosamente atrás da lata de cerveja, a última da fila numa mesa na Escola Patrice Lumumba, em Bissau.

São 06:45 da manhã e faltam 15 minutos para abrir as urnas.

Contadas, uma a uma, as "marcas" são 28, substancialmente menos do que em votações anteriores. Mas os 28 eleitores conversam com os elementos da mesa, que já têm tudo pronto para dar início à votação.

A urna está ainda selada, os boletins de voto estão ainda dentro do saco de plástico, o mesmo sucedendo aos frascos de tinta indelével e aos cadernos eleitorais e os elementos da mesa bocejam, ensonados, pois pouco ou nada dormiram na azáfama de cumprir ordens superiores.

O material eleitoral foi distribuído sábado aos presidentes das 2.210 mesas de voto espalhadas por todo o país e meticulosa e zelosamente guardados para que nada falhe, para que haja transparência, pois ninguém quer ser responsabilizado por qualquer omissão que, mais tarde, possa dar azo a confusão ou a reclamações.

Mais ou menos à hora certa, mais minuto menos minuto, a mesa de voto dá início ao exercício do dever cívico e, num ápice, em menos de 15 minutos, os 28 eleitores já tinham votado.

Chegaram entretanto outros, mas os primeiros 28, os que tinham deixado a "marca", já tinham cumprido o motivo que ali os levara.

Depois, começaram a surgir dúvidas, pois os que entretanto haviam chegado foram rapidamente "aviados" e deixou de haver fila.

Pedras, latas, garrafas, ramos de árvore, tijolos, chinelos já tinham desaparecido e, às 07:30, não havia ninguém para votar na assembleia de voto, onde estavam inscritos cerca de 760 eleitores.

Tradicionalmente, o eleitor guineense vota cedo, logo às primeiras horas. Mas, desta vez, algo escapa a todos. Jornalistas, elementos da mesa e os próprios eleitores.

"Aós bicha ka ten? ("Hoje não há fila?")", repara um eleitor que entretanto chega e, ao contrário do que se podia pensar, fica desanimado por não ter com quem falar, com quem passar o tempo.

Pouco depois, chega o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

São cerca de 08:00 e a votação do também presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder) decorre rapidamente. Depois das habituais palavras aos jornalistas, o panorama continua desolador.

Numa rápida incursão por várias zonas e bairros de Bissau o panorama é igualmente desolador. Aqui e ali existem filas, pequenas, muito pequenas, quando comparadas com a euforia da primeira volta, realizada a 19 de Junho.

Os candidatos - Malam Bacai Sanhá e João Bernardo "Nino" Vieira - votam no meio de apoiantes, não de eleitores. O presidente cessante, Henrique Rosa, vota à vontade e só a presença dos inúmeros jornalistas quebra a tranquilidade da mesa de voto.

E todos se começam a questionar porque razão existem menos eleitores, porque a afluência é menor do que na primeira volta.

"Talvez porque as expectativas foram excedidas" na votação de 19 de Junho, quando 87 por cento dos eleitores votou, alvitra um eleitor.

Ao início da tarde vem uma confirmação oficiosa, da parte da União Europeia (UE), que indica que a taxa de participação é menor do que a registada à mesma hora na última votação.

A meio da tarde, os apelos nas várias rádios nacionais multiplicam-se a um ritmo inusitado. "Quem não votou ainda está a tempo de cumprir o seu dever cívico", "Ajude a construir uma Guiné- Bissau melhor", "Não fique em casa, o voto é muito importante".

Da Comissão Nacional de Eleições (CNE) não se ouve uma única palavra. Ninguém sabe o que se passa. Só estiveram disponíveis às primeiras horas da votação. Contrariamente ao exemplo da primeira volta, em que tudo correu de forma irrepreensível, há algo que não parece bem e ninguém está para explicar.

Desta vez, nas filas, não houve discussões acaloradas. Desta vez, nas filas, não se falou da compra de votos, da compra da consciência eleitoral. Desta vez, não houve 13 candidatos mas apenas dois. Desta vez, parece que poucos votaram em Bissau.

Desta vez, à hora de encerramento das urnas, não se sabe se continuam abertas, se já fecharam, se já começaram a contar os votos, se, seÓ Mas sabe-se que, mais uma vez, houve pedras, chinelos, latas, garrafas, ramos de árvore, tijolosÓ Tudo muito cinzento, como o tempo.


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