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A Lusofonia está a desaparecer e a CPLP não tem protagonismo
- 20-Aug-2005 - 17:52
Mário Costa Dias, licenciado em Comunicação Social pela Universidade Técnica de Lisboa, «abriu-se» ao Notícias Lusófonas para falar da instituição que dirige, o Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR). Como não poderia deixar de ser (ou não fosse ele estudioso dessa nobre e bonita profissão, que é o Jornalismo), debitou a sua opinião sobre o estado actual da imprensa em Angola. O director do CEFOJOR admitiu que o Jornalismo feito de há cerca de quinze anos para cá ia mais de encontro aos interesses e preocupações dos interesses do MPLA.
Por: Jorge Eurico
Notícias Lusófonas – O que é o CEFOJOR?
Mário Costa Dias – É o Centro de Formação de Jornalistas, criado pelo Governo de Angola para se começar, de uma forma ordenada e programada, a suprir as grandes carências e lacunas a nível da formação dos jornalistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). O CEFOJOR foi criado há três anos mas não vem de forma alguma substituir a prática até esta altura mais exercida, que é a formação on-job que os órgãos de Comunicação Social realizam. Defendemos que os órgãos devem continuar a promover essa prática. O CEFOJOR está para congregar ideias mais gerais que possam consubstanciar-se em acções formativas que toquem os jornalistas de todos os órgãos. Somos, por excelência, uma escola do saber fazer por sermos um instituto técnico com áreas laboratoriais nos sectores de Rádio, Televisão e de Imprensa onde os formandos praticam a profissão em tempo real. Por isso, o nosso cartão de visitas é: CEFOJOR, a escola do saber fazer.
NL – Quem são os formadores?
MCD – Advogamos que os formadores do CEFOJOR devem ser todos aqueles que se identificam com o programa curricular e que para tal tenham qualificações do exercício do Jornalismo, bem como formação académica superior e que já tenham praticado essa profissão. O Jornalismo exige uma grande prática, um grande conhecimento para além da formação académica que deve estar subjacente aos conhecimentos do ramo para quem aqui vem exercitar. E nesta exigência muito genérica não fechamos portas a ninguém desde que se identifique com o projecto e o programa de formação. Desde que reúna as qualidades exigidas, aceitamos que venham cá dar formação. Mas, pela ordem de preferência, damos prioridade a angolanos e portugueses por causa do domínio da língua. Temos também brasileiros, britânicos, namibianos e sul-africanos. A Grã-Bretanha, a Namíbia e a África do Sul estão connosco nas acções de formação que visam o domínio da língua inglesa. Temos o domínio da língua inglesa como uma acção complementar para a formação dos jornalistas, tal como é obrigatório o ensino da língua portuguesa para todos os cursos que ministramos e também os domínios das novas tecnologias de informação e informática são sectores que fazemos com bastante rigor e exigência, pelo que tem de ser tocado em todos os ângulos de formação que ministramos.
NL – Quais são os países que mais acorrem aos serviços do CEFOJOR?
MCD – Todos os PALOP, excepto Macau! Todos os outros acorrem ao centro. Este ano pretendemos realizar mais uma formação a nível do conteúdo jornalístico para os jornalistas dos PALOP. E, pela primeira vez, pretendemos também envolver esta acção com Macau. A nível da SADC só exercitamos com a Namíbia. Temos contactos feitos com a África do Sul. Há contactos feitos com o Botswana e os dois Congos para uma acção ao longo deste ano no sentido de mostrarmos a nossa realidade aos demais países da SADC.
NL – No que respeita à formação jornalística, Angola está em condições de servir os PALOP e países da SADC?
MCD – Podemos orgulhar-nos disso. O CEFOJOR surgiu na altura certa. Há cerca de cinco anos houve uma revolução no sistema de ensino angolano, o que permitiu o aparecimento dos primeiros cursos superiores de Comunicação Social nas universidades. Entretanto, o CEFOJOR surge como uma escola de ensino técnico-profissional que é uma lacuna que é cada vez mais sentida a nível das formações superiores que são ministradas nas universidades. Neste momento estamos em vias de rubricar acordos com o Instituto Superior de Ensino Privado de Angola (ISPRA), que está a terminar o primeiro curso superior de Comunicação Social, como com a faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (UAN), que iniciou esse ano um curso de Comunicação Social, no sentido de, nos dois últimos anos, essas duas instituições exercerem as acções práticas aqui no CEFOJOR, exactamente por ser uma instituto de formação técnico-profissional.
NL – Quer dizer que hoje os angolanos não têm a necessidade de se formarem em Comunicação Social no estrangeiro?
MCD – Estou a dizer que também já temos um campo de formação aceitável e considerável. Já podemos formar bons jornalistas em Angola.
NL – Quais são os grandes défices que mais apresentam os formandos?
MCD – O principal défice é o domínio da Língua Portuguesa. Por isso em todas as acções formativas que o CEFOJOR ministra tem a cadeira de Língua Portuguesa como elementar.
NL – Não será que esse défice se agrava mais com o «brasileirismo» que tem estado a invadir a sociedade angolana, particularmente na Imprensa?
MCD – Não colocaria a questão nesses termos. Quem domina bem de facto a Língua Portuguesa, independentemente, de qualquer invasão, sabe quais são as ferramentas certas para bem escrever e falar português.
NL – Não admite que tem havido uma grande invasão do «brasileirismo» na nossa sociedade e na Imprensa angolana?
MCD – Admito! E isso acontece fundamentalmente entre os quadros do nosso sector por falta de autodidatismo. Temos lido muito pouco e o que se lê é basicamente proveniente do Brasil. Sobre o que vem Portugal, temos muito pouco. Infelizmente vamos tendo mais material didático referente ao Jornalismo brasileiro. E por isso há uma tendência muito grande para cairmos no português muito falado no Brasil ou, se quisermos, o «brasileirismo». Há esse risco que, contudo, pode e deve ser corrigido.
NL – De que forma podemos corrigir isso?
MCD – Esta é uma preocupação que toca todos os angolanos. Defendo que é necessário que incrementemos o ensino da Língua Portuguesa em todos os níveis de ensino no nosso País.
NL – Porquê que vamos estando mais distantes de Portugal e mais próximos do Brasil?
MCD – Acho que nunca houve interesse por parte dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa em voltar costas à Língua Portuguesa. Penso que não aconteceu nem há-de acontecer. A nível da política de expansão da Língua Portuguesa parece-me ter sido relegado, esse aspecto, para um plano inferior quando devia ser uma questão de prioridade das prioridades.
NL – Mas não sente que estamos virados mais para o Brasil do que para Portugal?
MCD – Sinto, sim senhor! Sinto que os angolanos vão estando mais virados para o Brasil do que para Portugal por algo que, no fundo, começam a ser nuances da Língua Portuguesa, o que poderá levar que cada país possa criar terminologias muito próprias que fogem ao padrão universalmente considerado a nível da Lusofonia. Isso tem fragilizado o português como uma língua una. E há o receio de que num futuro não muito distante tenhamos dificuldades em nos entendermos.
NL – Porquê que isso acontece?
MCD – Não sei se é pela expansão gradual da própria Língua Portuguesa, se Portugal se afastou do papel hegemónico de ditar as políticas, ou se cada país está mais interessado em criar as suas próprias linhas dentro do português.
NL – Admite que a Lusofonia esteja a morrer?
MCD – A morrer não! Admito que esteja a ganhar novos códigos. Agora, a Lusofonia como una e indivisível, sustentada apenas por uma matriz, ela está a desaparecer.
NL – Qual devia ser o papel dos governos dos PALOP no sentido de fazer com que a Lusofonia não desapareça?
MCD – Lutar pela padronização do português para que não deixemos morrer este elemento de identificação cultural, que é a Língua Portuguesa. Temos que ver como é que os outros se defendem pela língua que falam (francófonos e anglófonos).
NL – A CPLP tem o protagonismo de que se esperava?
MCD – Não, não tem o protagonismo que ansiávamos e que animou as expectativas inicias dessa comunidade. As coisas não têm estado a acontecer como sonhamos.
NL – Angola trinta anos depois. Como é que está a Imprensa angolana?
MCD – Estamos cada vez mais ricos em termos de maturidade dos próprios jornalistas e do ponto de vista do crescimento da ideia da existência de uma Comunicação Social responsável, profissional e isenta. Estamos cada vez mais ricos na perspectiva da própria abertura que a Comunicação Social deve ter para o futuro. Hoje já se sentem progressos extremamente válidos a nível. A existência do próprio CEFOJOR em si é um sinal de crescimento. O Jornalismo angolano está a crescer.
NL – Porque razão a Imprensa não pública está toda concentrada em Luanda?
MCD – O surgimento dos actores da Comunicação Social privada deu-se em Luanda. À medida em que o País se vai abrindo para o seu interior, à medida que a democracia se vai consolidando, também a Imprensa irá estender-se a nível de todo o País. Os jornalistas têm que ocupar o seu espaço. E hoje temos espaço a nível de todo o País. Os jornais privados podem surgir em qualquer parte. Não há nada que impeça o exercício do Jornalismo noutras partes como é feito em Luanda. Os jornalistas têm que ser audazes. Temos que ir ao encontro da vida lá onde ela exista.
NL – Faz sentido termos hoje, num País que se diz de direito democrático, um Ministério da Comunicação Social?
MCD – Faz! É um instrumento regulador a nível da política relativamente à Comunicação Social.
NL – De 1975 a 1991 fez-se Jornalismo ou propaganda?
MCD – (Risos) De 1989 a 1991 trabalhei como jornalista na Rádio Nacional de Angola (RNA). Admito que houve um controlo bastante acentuado do poder (político) em relação à Comunicação Social. Na altura fez-se um Jornalismo que foi mais ao encontro das preocupações e interesses do partido (MPLA). Acho que qualquer partido que estivesse no lugar do MPLA procederia da mesma forma porque a situação do País exigia que as coisas assim se passassem.
NL – Está a admitir que fez propaganda?
MCD – Não é que tenha feito propaganda. Agora, o Jornalismo foi muito alimentado por aspectos propagandísticos.
NL – Ainda temos resquícios disso na Comunicação Social pública?
MCD – Acho que não! Já se passou muito tempo. Muita coisa já aconteceu no sentido de erradicar algumas práticas existentes até há 10 anos. Hoje defendo e acredito na existência de uma Comunicação Social mais actuante e responsável.
NL – Confirma que a Rádio Escola irá para o ar na altura das eleições para fazer a campanha do MPLA?
MCD – Desminto totalmente. A Rádio Escola existe como laboratório do CEFOJOR. É evidente que temos uma rádio com uma linha que não atende a muitos outras questões como uma FM normal. Somos uma escola para a vida. Agora, se entraremos em cena na altura das eleições, é um pensamento errado de quem tem estado a alimentar essa informação.

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