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  Alto Hama

A culpa morre
com o marido
na casa
da amante

- 6-Sep-2005 - 20:00

O PS e o PSD mostraram hoje, como ontem e, certamente, como amanhã, que a culpa é sempre dos outros. Desta vez o mote foi o aumento do número de desempregados no período entre 2004 e 2005. Mas que importa isso? É irrelevante que no segundo trimestre deste ano, de acordo com o INE, Portugal tenha mais 15 por cento de desempregados face ao mesmo período de 2004, ou seja, mais 52 mil novos desempregados, ou que José Sócrates tenha prometido criar 150 mil novos postos de trabalho. O que importa, e resume tudo o resto, é que Portugal está à beira da falência.

Por Orlando Castro

A confiança dos portugueses está em queda? As exportações também? A inflação está a subir? E o que isso importa? O importante, afinal, é que os portugueses deram ao PS a maioria e preparam-se para fazer o mesmo a Mário Soares. Tudo o resto resolve-se... basta ouvir os discursos do primeiro-ministro.

E o que diz a teoria socratiana? Diz, segundo Jorge Strecht Ribeiro hoje no Parlamento, que os adversários estão a “enganar os portugueses de uma forma grosseira e de má fé ao atirar para cima do Governo PS as culpas do desemprego registado enquanto o PSD era Governo".

Diz que "no segundo trimestre de 2005, a taxa de desemprego foi de 7,2 por cento, contra 7,5 por cento registada no primeiro trimestre", ou seja (pasme-se!) menos 0,3 por cento.

Reconhecendo que "a situação é difícil", Strecht Ribeiro admitiu, porém, que "o Governo não pode empregar" a não ser na Administração Pública e "tem de esperar que a economia nacional retome e crie ela própria os empregos necessários", mas lembrou que "em Outubro será apresentado o Plano Nacional de Emprego".

A teoria socratiana não dizia bem isso. Não dizia isso, é claro, antes das eleições. Foi, creio, revista. Passou a ser mais realista, a fazer fé em Strecht Ribeiro, até que as contas eleitorais a façam voltar à primeira forma.

Curisoso foi ver o socratiano Maximiano Martins dizer que "os portugueses saberão julgar este caso lamentável de puro oportunismo político", pedindo seriedade ao PSD e garantindo que as medidas tomadas pelo Governo como o pacote de investimentos "produzirão efeitos a prazo".

De facto, ver o PS acusar os outros de oportunismo e falta de seriedade é como acreditar que o meu merceeiro é pintor só porque conhece as cores do arco-íris.

orlando@orlandopressroom.com
06.09.2005


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