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  Entrevista
«Queremos gente
capaz de pensar»

- 21-Sep-2005 - 11:03


Redacções sem memória e sem identidade podem levar a um jornalismo anódino, inofensivo, domesticado. Por outras palavras, tudo menos jornalismo

"Os alunos que vocês nos mandam hoje não servem para a Editora Abril. Eles podem até ter bom domínio técnico das coisas do jornalismo. Mas nós estamos mais interessados em gente capaz de pensar", afirmou Roberto Civita, director-presidente da Editora Abril, num encontro com docentes da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Em entrevista ao NL, publicada em 13 de Novembro de 2004, Manuel Pinto, docente da Universidade do Minho e Provedor do Leitor do Jornal de Notícias, dizia a mesma coisa, embora por outras palavras. Pelos vistos, no Jornalismo há cada vez mais falta de gente capaz de pensar.


Por cá, ou seja na equipa do NL, é regra de ouro pensar e ter memória. E foi por isso que resolvemos reproduzir a entrevista que então nos foi dada por Manuel Pinto. Os que já a leram verão que pensar é preciso. Os outros verão que... pensar é preciso. Cada vez mais. A bem do Jornalismo.

Por Jorge Castro

Notícias Lusófonas - Em Portugal assiste-se cada vez mais à discussão sobre Jornalistas e produtores de conteúdos. Faz sentido este tipo de discussão? Ou será que ela reflecte apenas a perda de poder profissional dos jornalistas?

Manuel Pinto - Creio que faz sentido, porque essa discussão põe no centro do debate o que é o jornalismo hoje e aquilo em que pode estar a tornar-se. É evidente que o jornalista é um produtor de conteúdos. Mas é mais do que isso e o seu papel é altamente exigente quanto aos conteúdos que lhe cabe produzir. Reduzir o jornalismo a conteúdos indiferenciados, em que se coloca ao mesmo nível uma notícia de interesse público e uma publicidade redigida, por exemplo, é estourar com o jornalismo e reduzir o profissional a um técnico de informação, a um amanuense.

NL - O Jornalismo português esteve em destaque com alguns casos mais mediáticos, como é exemplo o caso Casa Pia. Pensa que, de uma forma geral, os jornalistas estiveram bem? Ou terão sido "manipulados" pela guerra das audiências/tiragens?

MP - Os jornalistas estiveram bem quando desafiaram o conluio do silêncio e puseram o escândalo na agenda pública. A partir daí, houve de tudo: trabalho digno e abuso, sensacionalismo barato e esforço no sentido de uma informação equilibrada e que recusa a demagogia barata.

NL - Em Portugal assiste-se à concentração empresarial dos meios de comunicação social. Não significará isso que os jornalistas estão cada vez mais obrigados a "comer e calar"?

MP - A concentração é, nos nossos dias, um problema sério. Provavelmente ainda não chegamos ao zénite deste processo, mas a verdade é que a esfera política e a sociedade civil debatem pouco as incidências sócio-culturais deste fenómeno. Importa, porém, salientar que a degradação das condições de trabalho de muitos jornalistas não decorre apenas da concentração. Penso que existe, cada vez mais, nesta profissão, um fosso entre uma elite que sobrevive e encontra em qualquer caso o seu lugar ao sol e a maioria dos profissionais, em situação periclitante, exercendo com base num estatuto e horizonte temporal incertos, ganhando mal e estando sujeita a inúmeras contingências e dependências. As consequências deste processo de precarização podem ser, a prazo, catastróficas para o jornalismo: redacções sem memória e sem identidade, impossibilidade de especialização em determinadas áreas da via pública, reduzido espaço para a investigação jornalística e, mais latamente, a tendência para um jornalismo anódino, inofensivo, domesticado. Ou seja, tudo menos jornalismo.

NL - As Universidades portuguesas continuam todos os anos a atirar para o mercado de trabalho centenas de jovens habilitados para o jornalismo. Não se estará antes a formar gente para o desemprego? Há mercado para tanta gente?

MP - A preocupação das universidades e outras instituições de ensino superior com o mercado de trabalho dos seus estudantes deve ser uma constante, mas não creio que deva estar orientada apenas por esse factor. No que à Universidade do Minho diz respeito, que é aquela que conheço melhor, existe uma taxa bastante elevada de colocação no mercado de trabalho, embora muitas vezes as pessoas não iniciem a sua actividade no sítio ou no sector que desejavam. Mas eu costumo dizer que quando a formação cultural é sólida e o empenho e valor dos estudantes é notório, eles acabarão por encontrar o seu lugar ou até por inventá-lo. Chamo a atenção para o facto de, neste domínio da comunicação e dos media, o panorama do emprego se estar a alterar de dia para dia, criando-se permanentemente novas necessidades e novas actividades.

NL - Ainda sobre as Universidades. Os cursos de jornalismo (ou de comunicação) são recentes. O que pensa desses cursos? Preparam realmente os jovens, ou não passam de mais uma actividade comercial?

MP - Creio que há de tudo. Como os media e o jornalismo se revelaram, nos últimos 15 ou 20 anos uma área atractiva, muitas iniciativas surgiram, no furor da “multiplicação dos cursos de ensino superior”, cuja consistência deixa por vezes dúvidas, sabendo-se como temos ainda graves carências de formadores devidamente habilitados. No que diz respeito à instituição a que estou ligado, a formação assenta em três linhas: uma aprofundada formação nos instrumentos que ajudam a compreender e a lidar com a complexidade do mundo em que vivemos; a compreensão dos fenómenos comunicativos, na diversidade das suas expressões; e a habilitação para o exercício da prática profissional. Para isso, as componentes do corpo docente articulam o contributo de académicos e de profissionais que querem desenvolver trabalho académico, como foi o meu caso. Seja como for, eu continuo a achar que é nos contextos profissionais que se aprende a profissão. É virtualmente impossível replicar uma redacção na universidade, com os seus constrangimentos e potencialidades, com as suas hierarquias e recursos, com os seus deadlines, etc. Pode-se fazer laboratórios, mas a verdadeira aprendizagem do saber fazer ocorre nos contextos reais de trabalho. A mais-valia de uma consistente formação de nível superior advém do desenvolvimento das capacidades de compreender, de se adaptar a novos contextos e ferramentas, de desenvolver o sentido da notícia…

NL - Em Portugal assiste-se a uma nova realidade. Muitos jornalistas criam na Internet os seus próprios espaços. Quer isso dizer que nos órgãos onde trabalham não têm liberdade para escrever e, por isso, recorrem a essas alternativas?

MP - Não necessariamente. De resto, nem me parece que seja muito significativo número de jornalistas que alimentam regularmente os seus espaços na Internet. Há é uma descoberta de novas ferramentas que estão a colocar questões extremamente interessantes ao modo tradicional de ser jornalista. Nessa descoberta, de que os weblogs são uma expressão exuberante, estão envolvidos vários jornalistas, sendo que algumas das experiências entretanto surgidas nesse âmbito se podem considerar um novo terreno do exercício do jornalismo.

NL - Em Portugal existem os Provedores do Leitor (como é o Seu caso no Jornal de Notícias). Esse cargo faz sentido? Terão os Provedores real poder ou não passam de algo que apenas serve para credibilizar as Jornais junto dos leitores?

MP - Se o cargo de provedor do leitor fosse identificado com uma estratégia de marketing ou de relações públicas de um jornal, eu nunca teria aceite exercê-lo. E julgo que, na Europa, pelo menos, incluindo Portugal (nos Estados Unidos da América, a situação já me parece mais ambígua, em alguns casos), a tradição do provedor é de alguém que escuta e dá voz às preocupações dos leitores nos planos ético e deontológico e que analisa criticamente o conteúdo publicado, que inquire e confronta os jornalistas, editores e directores com as opções tomadas em assuntos concretos. Felizmente que temos tido, nesta ainda recente experiência portuguesa, provedores de grande craveira, como foi o caso de Mário Mesquita, que fizeram escola e instituíram um estilo e um patamar de exigência que não é fácil superar. Pelo que me toca, julgo ser importante aprofundar e alargar esta experiência de cidadania, incentivando os leitores a intervir mais e a “comer e calar” menos. Gostaria igualmente de ver a figura de um verdadeiro provedor ser instituída nas televisões, em particular nos canais do operador público.

NL - Dizem-nos que em Portugal muitos dos textos assinados nos jornais o são por pessoas não habilitadas com a respectiva cédula ou carteira profissional. É verdade? Se sim, não deveria ser obrigatório estar habilitado? Se não, porque razão se fala nisso?

MP - Não conheço bem a situação, devo confessar. Direi apenas que, segundo a lei portuguesa, não é permitido exercer a profissão de jornalista sem se estar devidamente habilitado com a carteira profissional. Tenho ouvido relatos de que estagiários que estão sequiosos de adquirir experiência e que se submetem ao que for preciso desde que consigam “fazer umas coisas” numa redacção se tornam numa presa fácil para empresas sem escrúpulos que dão “trabalho” a essas pessoas a troco de nada ou de um mísero subsídio de refeição. Isto tem um nome: exploração. Deve, por isso, ser denunciado.

NL - Em Portugal, o único organismo representativo dos Jornalistas é o respectivo Sindicato. Pensa ser útil a criação de uma Ordem dos Jornalistas?

MP - Parece-me que o debate sobre esta questão tem sido redutor. Antes de colocar a opção entre o Sindicato ou a Ordem, julgo ser preciso clarificar como é que os profissionais do ofício de jornalista pretendem assumir os seus direitos e deveres de forma confiável perante os pares e perante a sociedade. A mim não me satisfaz de todo que a violação flagrante do código deontológico da profissão seja apenas sancionada pela via moral. Julgo que, neste ponto, que é cada vez mais decisivo do ponto de vista da relação entre os jornalistas e a sociedade, o actual estado de coisas é tendencialmente facilitador quer da intervenção do legislador político quer da recuperação da ideia de uma ordem profissional. O tempo se encarregará de esclarecer as coisas, caso os jornalistas não tomem a iniciativa.

NL - No vasto leque da Comunidade de Países de Língua Portuguesa faz-se, é claro, bom e mau jornalismo. O que se lhe oferece dizer sobre o exercício da profissão nos países da CPLP?

MP - Devo reconhecer que deveríamos ampliar de forma significativa os intercâmbios não apenas entre os jornalistas e outros profissionais dos media dos países lusófonos, mas também outros parceiros com interesse e intervenção neste campo. No âmbito mais académico, um salto significativo, mais ainda incipiente, foi a criação, em anos recentes, da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação (LUSOCOM), na qual têm participado, para além dos brasileiros e portugueses, os representantes das associações de Angola e Moçambique. Mas parece-me que o desconhecimento recíproco, a todos os níveis, continua a ser a grande marca. É por isso que iniciativas como o portal “Notícias Lusófonas” ocupa um lugar tão destacado, enquanto plataforma que dá expressão àquilo que é básico em qualquer obra de cooperação: a informação e a análise. E poderá dar ainda mais, se para tal contar com os devidos apoios.


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