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  Alto Hama

Boa! Foste
expulso do PSD
- A resposta
do Fernando Frade

- 23-Sep-2005 - 14:47

«Depois de ler a tua crónica – Alto Hama com o título “Boa! Foste expulso do PSD” , publicada no Notícias Lusófonas - não podia deixar de vir a terreiro. Como sabes, porque és meu amigo de há muitos anos, tenho vida e percurso. Vida desde que nascemos em Angola e que vamos usando enquanto Deus nos deixar. Percurso, este feito por nós, aquele que passou por chegar a terra estranha, que em boa verdade se diga nos acolheu, e onde tivémos que fazer caminho.»

«Esse tu conheces. Estudei com dificuldades e cheguei onde queria, arranjei emprego e é dele que vivo, casei, tive filhos – tu já vais nos netos – e fiz coisas. Fundei um jornal, uma rádio, fui membro de associações culturais, de juntas de freguesia, de assembleias municipais, membro de comissões políticas, de assembleias distritais. Inscrevi-me no PPD, aceitei o PSD.

Nos anos de ouro da pós revolução fui agredido, tive medo, muitas vezes, porque não era fácil ser do PPD no Barreiro. Paguei com o meu dinheiro janelas de sedes, dormi pouco, muitas noites, gastei gasolina e tempo da minha vida, para ajudar a eleger os outros em função daquilo em que acredito – podemos e devemos tentar viver num país melhor e para isso é necessária a contribuição de cada um de nós.

Fui morar para Oeiras e conheci o autarca modelo, Isaltino de Morais. Tinha dele uma ideia diferente. É um homem normal, com virtudes muitas e, defeitos, alguns, mas com uma capacidade de ouvir e de colocar em marcha o que ouve diferente do habitual.

Como bem me conheces, disse-lhe o que pensava. Muitas vezes. Fui políticamente incorrecto algumas. Com isso Isaltino passou a confiar em mim e mais tarde penso a ser meu amigo. Por isso no dia em que se demitiu telefonei-lhe a expressar a minha solidariedade.

Afastou-se da política, demitiu-se dos lugares que ocupava e aguardou por uma investigação célere. Quando se cansou de ter uma espada suspensa sobre a cabeça, avançou, com a determinação que lhe é conhecida. O que aparentemente estava parado avançou, com coincidências notáveis, no dia da candidatura, no dia de inauguração da sede, saíram notícias da investigação.

No PSD a comissão política de secção dá-lhe o apoio, os militantes referendam o nome, os militantes de Algés fazem o mesmo e na Distrital de Lisboa vê o seu nome aprovado. A Nacional decide contra as bases, não informa sequer a CPS da sua decisão e esta demite-se. São convocadas novas eleições e ganha a lista afecta a Isaltino.

Um líder nacional eleito há pouco tempo impõe a sua escolha, com argumentos dúbios, que se aplicam a Isaltino e a Valentim mas não a outros. Maltrata publicamente um ex-líder do partido. Escolhe e aprova listas que não são aprovadas nas secções, os que se lhe opõem são alvo de sanções, ou melhor, de expulsões. Os que levantam a voz são suspensos em processos sumários. Os que lhe são fíeis, e que representam a lista do PSD neste momento, retiram a confiança política a vereadores, membros de juntas, funcionários apenas porque apoiam Isaltino.

Parece, meu caro, um fartar de vilanagem. O que nunca conseguiram por mérito, conseguem agora desta forma. Afastando os que muito fizeram pelo PSD. Têm é verdade com eles alguns dos que também trabalharam.

Boa, foste expulso do PSD – acho que não Orlando, o PSD, o PPD que eu conheço está comigo. Entrei muito cedo, quando no PSD só estavam nove mil, estive lá enquanto fiz falta, não me revejo agora num líder que tem estas atitudes, que elogia o início do ano escolar esquecendo-se que as escolas não têm qualidade que os professores colocados “a tempo”, estão longe da família, da casa, suportando muitas vezes custos adicionais.

O PSD tem um líder que não tem uma palavra sobre a morosidade da justiça, que não tem um discurso coerente sobre a economia, tem um problema de base com a Prisa que sabe não poderá controlar, mas não vê que nas máquinas de distribuição de alimentos os croissant já são espanhóis e contra tudo isto não levanta a voz.

Para se ser coerente, meu caro, não é preciso deitarmo-nos - perante coisas como a colocação de professores que por ser um acto admnistrativo só tem é que correr bem -basta estar disposto a colaborar e oferecer ao partido do governo pactos de regime para os graves problemas que como país temos.

Por tudo isto, e porque Oeiras tem qualidade de vida, não tem betão em excesso, tem teatros, centros de convívio, jardins, transportes inovadores, e porque ainda tem muito que fazer, escolhi Isaltino. Fui, vou ser expulso do PSD. Azar o deles. É menos um tolo a perder noites e a tentar dar ideias.

Teria sido mais fácil, para mim, escolher a candidata do regime, mas sinceramente meu caro, não quero viver numa vila que tem como orgulho pagar aos fornecedores a 30 ou 60 dias, não quero viver numa terra que espera anos por assinaturas, por pareceres, por normas e que se vai degradando com medo de uma inspecção. Não quero viver numa vila sem rasgos de inovação como os que constam do programa do sr.r Isaltino: o Parque dos Poetas , segunda fase , o dos descobrimentos, o pavilhão multiusos, o parque de investigação biológica...

Já não tenho pachorra meu caro, para viver numa cidade onde as realizações se contam por arranjos de passeios ou toneladas de lixo recolhidas, quero mais e por isso vou Isaltinar. Boa fui expulso do PSD, azar, pelo menos posso sonhar.»

orlando@orlandopressroom.com
23.09.2005

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