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«As eleições não resolvem o problema dos angolanos»
- 28-Sep-2005 - 12:41
José Gama, o rosto mais visível e o lápis mais afiado (basta ver ao seus artigos nos sites AngoNotícias ou Club-k, diz que muitos angolanos poderão abster-se nas próximas eleições por não se reverem nos discursos de muitos políticos. Sobre a democracia nascente em Angola, o Secretário-Geral do Clube-K, organização implantada em 14 países do mundo e que tem relações privilegiadas com a FRELIMO e o ANC, é de opinião de que se tem feito uma leitura teológica e não sistemática. Leia os argumentos deste jovem que, à sua maneira, tem sabido dar o seu contributo à democracia participada em Angola.
Por Jorge Eurico
Notícias Lusófonas - O que é, afinal, o Club-K?
José Gama - O Club-K é uma organização sócio-cultural que tem como objectivo apoiar as comunidades angolanas no exterior.
NL - É composto por quantos membros?
JG - Integram o nosso Executivo cerca de 60 membros.
NL - Quando é que o Club-K foi criado?
JG - O Club-K foi criado a 7 de Novembro de 2000.
NL - O que fazem os membros do Club-K?
JG - Os membros são estudantes na sua maioria e dedicam parte do seu tempo em favor da diáspora angolana.
NL - O que é que fazem concretamente em favor da diáspora?
JG - É nossa intenção que os estudantes regressem ao País com uma bagagem intelectual que lhes permita servir a Pátria. Para isso temos estado a promover encontros, palestras, seminários, congressos e iniciativas culturais.
NL - De que é que vivem os membros do Club-k?
JG - Antes de mais são estudantes, trabalhadores e alguns vivem dos subsídios que os pais enviam. É o que acontece com a maioria da comunidade estudantil.
NL - É o seu caso?
JG - É sim senhor! Os meus pais estão em Angola e, felizmente, ainda podem suportar as minhas despesas.
NL - Em quantos países está representado o Club-K?
JG - Estamos representados em cerca de 14 países.
NL - Quais são?
JG - Angola, Portugal, África do Sul, Botswana, Canadá, USA, Polónia, Espanha, Alemanha, República Checa, Inglaterra, Holanda, França, Zimbabué e Médio Oriente (Egipto).
NL - Onde é que está a sede e a direcção do Club-K?
JG - Depois de descentralizarmos a nossa sede em Paris, a África do Sul passou a funcionar como a nossa principal base de acção. Mas para reforçar a acção externa, o Canadá será, a partir do próximo ano, a nossa nova base.
NL - Qual é a relação que o Club-K tem com o ANC e a FRELIMO?
JG - Os membros desses partidos têm participado nas nossas actividades e vice-versa. Com eles aprendemos muito e hoje podemos dizer que são responsáveis pela visão que temos sobre a democracia.
NL - É verdade que o Club-K é uma falange da JMPLA no exterior do País?
JG - O facto de alguns dos nossos membros serem filhos de dirigentes deste ou daquele partido, não dá o direito de nos atribuírem filiações partidárias. Não existe nenhum laço com a JMPLA. A JMPLA é uma organização partidária e o Club-K não.
NL - Então porque razão foram sondados para participarem na preparação do processo eleitoral a partir da diáspora?
JG - Fomos convidados por se tratar de um direito cívico de Estado e não de uma acção exclusiva da responsabilidade dos partidos políticos. Tanto quanto sabemos não estamos impedidos de votar. O que fazemos apenas é despertar as pessoas para que não votem de forma inconsciente.
NL - Qual foi a instituição que vos sondou para participarem na preparação do processo eleitoral?
JG - Foi um diplomata angolano.
NL – E o que é que vos disse?
JG - Comunicou-nos que a nossa participação no Processo Eleitoral não seria posta de parte. Julgo que dentro de dias adiantarão mais pormenores sobre o dossier.
NL - E o Club-K está disposto a tal?
JG - Não colocamos de parte os nossos deveres cívicos e patrióticos. Estamos dispostos a servir Angola e os angolanos.
NL - Quantas vezes o MPLA já tentou aliciar o Club-K?
JG - Nunca houve aliciamentos por parte de ninguém, mas mesmo que houve essa tentativa não produziria resultado satisfatório nenhum.
NL - A diáspora angolana é um voto garantido para o MPLA?
JG - Gostaríamos de acreditar nisso, mas o que constatamos no terreno pode vir a contrariar esta tese.
NL - Como assim?
JG - A diáspora quer ver o País a caminhar para frente. Muitos querem voltar para Angola e encontrar o mesmo nível de democracia a que se habituaram nos países que se encontram. Esta é a garantia que a diáspora quer, mas quando se escutam casos de violação contra os direitos Fundamentais do Homem, a tendência deles é a censurar quem tem responsabilidades políticas.
NL - Quer dizer que o voto da diáspora poderá surpreender o MPLA?
JG - Muitos angolanos poderão abster-se nas próximas eleições por não se reverem nos discursos de muitos políticos. Portanto, o voto da diáspora poderá surpreender todos, incluindo o MPLA. Está-se a mobilizar, mas não se está a sensibilizar ninguém.
NL - A África do Sul, em termos de eleitorado, está mais para a UNITA ou para o MPLA?
JG - A África do Sul está divida em três celeiros: Cape town, Pretória e Joanesburgo. A primeira cidade, em termos de angolanidade, é integrada maioritariamente por refugiados e por pessoas que foram à procura de melhores condições de sobrevivência. Constata-se que este grupo se identifica mais com os discursos dos dirigentes da UNITA. Quando ouvem falar de violações e desrespeito de Direitos Humanos em Angola culpam logo o MPLA. Quanto a Pretória, os estudantes estão afectos na sua maioria às elites do MPLA. Por natureza, o desnorteio os levará a absterem-se do Processo Eleitoral que se avizinha. Em Joanesburgo alguns militantes do MPLA admitem que têm de redobrar esforços para poderem ganhar aquela cidade. Caso contrário, perderão votos.
NL - Qual tem sido o papel do comité do MPLA na Embaixada de Angola na África do Sul para conquistar o voto da comunidade?
JG - As embaixadas servem o Estado e não os partidos políticos. Mesmo que facilitem a acção deste ou daquele partido, tal não seria feito aos olhos da comunidade. As movimentações do MPLA não têm sido visíveis a nível das comunidades. Talvez quando começar a campanha. E para além disso muitos dos membros do MPLA são estudantes e julgo que nem sempre estão disponíveis para se dedicarem à causa deles de corpo e alma.
NL - É o seu caso?
JG - Não faço parte de nenhum partido. Sinto-me bem como independente, mas respeitando os outros. Apenas reprovo quando se incentivam os angolanos pelas causas partidárias, pondo de lado a Nação. Devemos acima de tudo ser angolanos e depois o resto.
NL - Admite que há uma tentativa de partidarizar a diáspora?
JG - Mesmo que houvesse não seria possível. Se fazem isto em Angola é porque as pessoas se sentem condicionadas às situações que lhes são impostas. Aqui ninguém sobrevive à custa de partidos políticos. Logo, estas tentativas não produzem efeitos. Existe este ou aquele a tentar fazer graxa a favor do seu partido, mas é logo identificado pelo seu oportunismo e ninguém dá ouvidos.
NL - Quais são os países que albergam os bastiões do MPLA na diáspora?
JG - Tudo indica que seja o Brasil. A Holanda, por exemplo, é um país em que existem muitos angolanos revoltados. Aqui há uns tempos a ministra da imigração holandesa foi a Angola e foi informada que o País está bom e que não há necessidade de a Holanda hostilizar os angolanos. Logo a comunidade fez uma leitura da comunicação da governante. Muitos deles levantaram a hipótese de que a mesma terá sido influenciada pelo Governo angolano. Para muitos deles o Governo e o MPLA são a mesma coisa. Portanto para evitar o seu regresso, acham que tem que interditar esta suposta vontade da governação através das urnas. Os Estados Unidos da América são hoje uma comunidade com feições para a UNITA e a FNLA. Em Portugal o quadro é diferente, até há indivíduos identificados como sendo do PADEPA que têm feito algumas movimentações nos centros universitários. Por outro lado, a recepção que Samakuva, Gato e Chivukuvuku tiveram indicou que a UNITA ainda pode ter Portugal nas suas mãos.
NL - Qual é a opinião que a diáspora tem dos partidos políticos na oposição que não a UNITA?
JG - Acreditamos que há falta de espaço para fazerem passar sua mensagem, o que dificulta a diáspora de fazer uma leitura sobre a linha política desses partidos. Pela imprensa angolana escutamos mais notícias de que estes partidos estão em crise, de que há desvios de fundos. Os excessos sobre o teor dessas notícias fazem-nos pensar que nem sempre os órgãos de Comunicação Social nos transmitem a verdade sobre esses partidos.
NL - Mas que notícias é que vos vão chegando sobre a real situação da oposição?
JG - Ouvimos falar das crises existentes no PAJOCA, na FNLA e no PRS. Notícias de que militantes do PDP-ANA renunciaram à sua militância para aderir ao partido maioritário e nunca o oposto. Logo ficamos com uma pequena desconfiança de que há marketing político a funcionar. Quando estávamos em guerra não acontecia isso. Desde que anunciaram que seremos chamados para as urnas, o caso tornou-se uma constante. Li uma vez no semanário Folha 8 que, nas vésperas do V congresso do MPLA, a reunião dos cozinheiros da sede do partido no poder foi destaque num dos noticiários da RNA. A meu ver, reunião de cozinheiros não é de interesse público.
NL - Que leitura faz do processo democrático que já conta com 15 anos?
JG - Temos que admitir que sobre democracia em Angola tem-se feito uma leitura não muito correcta. Tem-se feito uma interpretação teológica e não sistemática. Os que falam de democracia desdizem-se na acção prática. É necessário que haja respeito pelas instituições do Estado, mas não queremos desmoralizar, continuamos solidários com todos que se batem pela democracia no País.
NL - Qual é o prognóstico em relação às próximas eleições no País?
JG - Há intelectuais que se têm emocionado bastante fazendo-nos crer que as eleições hão-de mudar o país. Não serão as eleições de 2006 que irão mudar a vida dos angolanos, mas sim a vontade que a governação tem de dar o seu melhor aos filhos desta terra que se batem por uma democracia genuína. Se se quiser mudar o País, que se comece já. Não é preciso esperar pelas eleições. O desenvolvimento de Angola não pode ser refém das eleições, mas sim da vontade da governação. As eleições são um processo que darão a maioria a oportunidade de escolher uma nova administração.
NL - O que é que se pode esperar da candidatura Eduardo dos Santos às próximas presidenciais?
JG - Hoje falar da recandidatura de Eduardo dos Santos tornou-se algo que requer uma análise profunda. As nossas ideias têm sofrido influências externas. Uns dizem que não houve eleições e que por isso não se pode falar de mandatos, a oposição contraria. Já Fernando Macedo defendeu esta tese dizendo que não houve eleições, mas houve o exercício material dos mandatos. Acabamos todos por ficar baralhados. O melhor seria ouvir o próprio presidente Eduardo dos Santos.
NL - A persistência de Holden Roberto em relação ao poder na FNLA significa alguma coisa?
JG - Holden Roberto criou um projecto e hoje nota que houve um desvirtuamento interno na vida do partido que criou. E talvez não deseje sair para depois ver o partido ser afundado. Talvez queira antes tratar da saúde interna do partido e depois abandonar deixando os seus seguidores em harmonia para que amanhã não lhe seja apontado o dedo como tendo deixado o partido de pernas para ar.
NL - Quem no MPLA estaria em condições de substituir Eduardo dos Santos na Presidência da República?
JG - Pessoalmente apostaria em Pitra Neto. Vejo nele um grande tecnocrata, que saberia usar armas para combater a corrupção, a pobreza e fazer realizar o sonho dos angolanos. Há muitos mais, mas que não nos dão a oportunidade de os conhecer. Por isso ficamos limitados nas escolhas.

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