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Professores reclamam salários em atraso e ameaçam fazer greve
- 5-Oct-2005 - 17:43
O Sindicato Nacional dos Professores (Sinaprof) guineense condicionou hoje a abertura do ano lectivo ao pagamento "imediato" dos salários em atraso desde Junho, admitindo entrar em greve mal o Governo anuncie a data de início das aulas.
A decisão foi tomada hoje numa reunião da direcção do Sinaprof, em que o presidente do sindicato, Vençã Mendes, indicou que o executivo de Carlos Gomes Júnior deve aos docentes um total de 900 milhões de francos CFA (cerca de 1,38 milhões de euros).
Também hoje, fonte do Ministério das Finanças disse que o governo guineense pretende regularizar os três a quatro meses de salários em atraso na Função Pública até ao fim de Outubro corrente.
Falando aos jornalistas, no dia em que se comemora o Dia Mundial dos Professores, Vençã Mendes exigiu também que o governo calendarize, antes do início do ano lectivo, o pagamento dos salários em atraso referentes a 2002, 2003 e 2004, montante que ascende a 1.312 milhões de francos CFA (cerca de dois milhões de euros).
O Sinaprof, que reivindica ainda uma carreira docente já este ano lectivo, pela qual luta desde 1999, prometeu entregar um pré-aviso de greve com 14 pontos "logo que o governo anuncie" a data oficial de abertura das aulas.
"O Sinaprof reserva-se ao direito de promover marchas em todo o país para sensibilizar a população para a precariedade do ensino guineense, bem como vigílias em frente à sede do Governo e do Ministério da Educação até que as reivindicações sejam satisfeitas", sublinhou.
Vençã Mendes referiu que, desde 1992, os sucessivos governos têm manifestado "uma clara falta de vontade política" para resolver os problemas no sector, lembrando que as infra-estruturas escolares estão "visivelmente degradadas" e "sem condições técnicas e pedagógicas".
"Não existe também uma definição coerente da política salarial aos docentes, nem uma política de retenção de quadros. Os vencimentos são sempre pagos tardiamente", sublinhou o presidente do Sinaprof, que criticou ainda a "instabilidade política" e a "constante mudança de ministros".
Segundo Vençã Mendes, o Sinaprof exige ainda mais e melhor formação para os docentes, para que o país possa corresponder ao desafio do ensino de qualidade que se exige.
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