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Guiné Bissau
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Governo suspende rituais e interdita venda pública líquidos
- 7-Oct-2005 - 18:10
O governo da Guiné-Bissau anunciou hoje a proibição de venda pública de água, sumos, sorvetes e alimentos na via pública e ordenou a suspensão de cerimónias e rituais fúnebres, medidas destinadas a combater a epidemia de cólera no país.
A decisão foi tomada quinta-feira na habitual reunião semanal do Conselho de Ministros, em que foi dedicada especial atenção ao surto de cólera que atinge o país desde Maio último e já fez 293 mortos, entre os mais de 18.000 casos.
No comunicado do Conselho de Ministros, o Governo decretou a suspensão de cerimónias e rituais fúnebres, bem como de festas que "impliquem a aglomeração de pessoas, manuseamento e consumo de comida e bebidas em grandes grupos".
Por outro lado, interdita a venda pública de água, sumos, sorvetes e alimentos na via pública e em locais inapropriados ou confeccionados em ambientes "com poucas ou nenhumas condições higiénicas".
"As medidas visam proteger a saúde pública, sobretudo de crianças e mulheres grávidas", lê-se no documento, em que o Governo insta as autoridades competentes a "cumprirem rigorosamente" as orientações e a procederem a uma fiscalização eficaz.
Segundo os últimos dados oficiais, Bissau continua a registar o maior número de casos de cólera, mais de 9.500, sendo a região, a par da de Quinara (sul), a que mais mortes causou (65).
A epidemia, que se estende por todo o país, está ainda longe de controlada, embora a média diária de novos casos tenha estado a diminuir nas últimas semanas.
Em Bissau, há centenas de locais onde se confeccionam e vendem produtos alimentares em condições de higiene precárias.
Por outro lado, as festas e, sobretudo, os rituais fúnebres em algumas das quase quatro dezenas de etnias existentes na Guiné-Bissau, em que o corpo da vítima fica exposto durante alguns dias, são elementos potenciadores do alastramento da doença.
A epidemia de cólera na Guiné-Bissau, onde a doença surge ciclicamente, tem sido combatida com a ajuda internacional, nomeadamente de Portugal e de várias organizações humanitárias.
Na próxima quarta-feira, um navio da Marinha de Guerra francesa chegará a Bissau com um carregamento de 3,5 toneladas de material médico e sanitário doado pela França para fazer face ao surto, anunciou hoje fonte da embaixada gaulesa na capital guineense.
Segundo a fonte, antes de chegar a Bissau, o "Ouragan", navio de transporte de lanchas de desembarque rápido, aportará em Dacar (Senegal), onde embarcará também mais 450 quilogramas de material médico e sanitário oferecido pela Cruz Vermelha da Argélia.
O navio francês permanecerá quatro dias no porto de Bissau e aproveitará as suas lanchas de desembarque rápido para ajudar nas operações de apoio sanitário às diferentes populações que residem nas mais de uma dezena de ilhas habitadas no arquipélago dos Bijagós.
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