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  Guiné Bissau
Destruídas cerca de 4.000 minas anti-pessoal
- 18-Oct-2005 - 16:33


Cerca de 4.000 minas anti-pessoal e engenhos explosivos foram destruídos segunda-feira numa pequena localidade do Leste da Guiné-Bissau, ficando assim eliminado o "último stock" de armas desta natureza no país.


A destruição dos engenhos explosivos decorreu em Nhampassaré, sete quilómetros a sul de Gabu (200 quilómetros a leste de Bissau), acto organizado pelo Centro de Acção Anti-Minas (CAAMI) e presidido pelo ministro da Administração Interna guineense, Mumine Embaló.

"Este gesto positivo tão importante é um passo indispensável para o restabelecimento dos laços de confiança entre a Guiné-Bissau e a comunidade internacional e demonstra a preocupação do governo em preservar a vida de cidadãos inocentes, em especial das nossas mulheres e crianças", afirmou Mumine Embaló.

O ministro, ladeado pelo titular da pasta da Defesa, Martinho Ndafa Cabi, defendeu também a necessidade de se insistir na limpeza das zonas minadas "de forma comprovada", de forma a evitar que ocorram incidentes em áreas já declaradas "totalmente desminadas".

Por seu lado, o ministro da Defesa guineense indicou que a Guiné-Bissau está a cumprir a Convenção de Otava e apelou aos países fabricantes de minas para porem cobro à produção de engenhos explosivos.

"Apelos aos países fabricantes de minas anti-pessoal para que deixem de as produzir e que assumam o compromisso de acabar definitivamente com a situação", afirmou Ndafa Cabi, sugerindo a transformação de "toda essa indústria" na produção de brinquedos ou alimentos para crianças dos países mais pobres do mundo.

"É irreversível o compromisso que assumimos perante a comunidade internacional e por isso aceitamos destruir parte do nosso dispositivo bélico, para dar um sinal positivo de que pretendemos algo muito precioso para a vida humana"", acrescentou.

Por seu lado, Michel Balima, representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que colabora com o CAAMI nas operações de desminagem na Guiné-Bissau, congratulou- se pelo facto de a Guiné-Bissau estar a respeitar os Direitos Humanos.

"O governo guineense demonstrou que, com a destruição das 3.987 minas armazenadas no quartel de Gabu, que tem a plena consciência de que quer ajudar a resolver o problema, reconhecendo, ao mesmo tempo, a necessidade de continuar com o programa de coordenação, sensibilização e informação de desminagem humanitária", afirmou.

A Guiné-Bissau tem em curso um programa de desminagem, na sequência do conflito militar de 1998/99, embora se desconheça ainda o total exacto de minas anti-pessoal colocadas no terreno e também alguns locais onde se encontram.

Nesse sentido, as verbas destinadas para o efeito quer pelas Nações Unidas quer pela União Europeia (UE) estão a ser geridas por duas organizações não governamentais especializadas na matéria, a Handicap International e a Humaid.

César de Carvalho, responsável do CAAMI, estrutura criada pelo governo em 1999 para coordenar e gerir todo o processo de desminagem, a Guiné-Bissau poderá ficar livre de minas até ao final deste ano ou, o mais tardar, até ao fim do primeiro semestre de 2006.

"O problema é que não há mapas dos locais onde foram colocadas as minas. Sabemos que há uma cintura em redor de Bissau e várias outras zonas do país onde se registaram confrontos, como no norte e sul", afirmou.

Segundo o responsável da CAAMI, as minas já provocaram mais de meia centena de mortos no país e mais de 250 feridos, sublinhando que há ainda "muito por fazer" para que os agricultores possam regressar `s suas terras.

César de Carvalho indicou que desde a criação da CAAMI, e com a ajuda de organizações não governamentais como a Humaid e a Lutcam, especializadas neste tipo de acções, já foram recolhidas e desactivadas 2.546 minas anti-pessoal, 64 anti-tanque e 13.576 engenhos explosivos.

César de Carvalho lembrou que a CAAMI tem a seu cargo não só a desactivação das minas do conflito militar de 1998/99 como também as centenas de outras que estão ainda por descobrir e que foram colocadas pelas tropas coloniais portuguesas durante a "guerra de libertação" (1963/74).

Além de Bissau, foram já delimitadas várias áreas do país onde se detectaram engenhos explosivos, como em Buba (sul) e junto aos 70 quilómetros de estrada que ligam São Domingos a Farim (norte), ao longo da fronteira com o Senegal.


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