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Agostinho Neto, poeta, militante e político em biografia de jornalistas
- 21-Oct-2005 - 13:52


Um retrato biográfico do primeiro Presidente da República de Angola após a independência, Agostinho Neto (1922-1979), completado por testemunhos inéditos de familiares e amigos dão forma à obra "Uma Vida Sem Tréguas", organizada pelo jornalista Acácio Barradas.


O livro, que está agora a chegar às livrarias, é "a primeira biografia de Agostinho Neto, visto que as existentes não passam de meros resumos de uma vida que merecia ser tratada com menos parcimónia", declarou Acácio Barradas.

A obra, criada por Acácio Barradas em parceria com os jornalistas Moutinho Pereira e Artur Queiroz, inclui um ensaio de Pires Laranjeira sobre a poesia de Agostinho Neto, uma entrevista com a viúva, Maria Eugénia Neto, e depoimentos de figuras angolanas e portuguesas que com ele privaram.

A edição conta igualmente com textos de Agostinho Neto escritos na prisão, um dos quais - com reflexões sobre o racismo e a ambicionada independência - lhe foi apreendido pela polícia política.

Trinta anos depois da independência de Angola, "Uma Vida Sem Tréguas" pretende dar a conhecer as várias facetas do líder angolano, sobretudo aos mais jovens, que terão nascido já depois da sua morte.

"Agostinho Neto nasceu português e morreu angolano. Na trajectória da sua vida intensa, ao longo de 57 anos, transformou uma colónia em nação independente e fê-lo com o sacrifício da sua vida pessoal e da sua família e, naturalmente, ferindo muitos interesses", sublinha Acácio Barradas, para quem "a descolonização é um processo tão violento como a colonização".

Embora a pesquisa directa para este livro tenha demorado apenas seis meses, Acácio Barradas considera que contribuíram para o trabalho os 15 anos (1953-1968) que viveu em Angola, onde se tornou jornalista profissional.

Quanto aos outros dois jornalistas que assinam a autoria do volume, Moutinho Pereira e Artur Queiroz, continuaram em Angola a exercer a profissão durante os anos em que Neto foi chefe de Estado, o que lhes permitiu um outro olhar sobre a sua personalidade.

"Uma Vida Sem Tréguas" apresenta Agostinho Neto enquanto estudante em Angola e em Portugal, refere as prisões por que passou, o julgamento de que foi réu no Tribunal Plenário do Porto e o desterro em Cabo Verde.

A sua fuga de Lisboa para Tânger também figura no livro, onde é explicada com recurso a uma infografia, sendo igualmente abordado o seu papel como presidente do MPLA e Chefe de Estado da República Popular de Angola.

O fundador da nação angolana é ainda recordado através dos testemunhos da sua filha Irene Alexandra Neto, actual vice-ministra das Relações Exteriores para a Cooperação, e de Adriano Sebastião e Ruy Mingas, antigos embaixadores de Angola em Portugal.

O general Pedro de Pezarat Correia, que como representante do MFA teve participação activa na transição de Angola para a independência, o ex-Presidente da Assembleia da República, António de Almeida Santos, que conviveu com Neto em Coimbra, e o historiador Pedro Ramos de Almeida, que esteve preso e foi julgado com Neto no Porto quando ambos eram dirigentes do MUD Juvenil, são outras das pessoas cuja opinião foi ouvida.

O volume compila ainda depoimentos dispersos de nomes como José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, Pedro Pires, Presidente da República de Cabo Verde, Ramalho Eanes, ex-Presidente da República Portuguesa, Joaquim Chissano, antigo Chefe de Estado da República de Moçambique e Luís Cabral, ex-Presidente da República da Guiné-Bissau.

A edição de "Uma Vida Sem Tréguas" foi conseguida com o apoio da empresa angolana AAA Seguros, que decidiu doar os lucros da venda da obra à Fundação Agostinho Neto, que está agora a ser organizada.


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