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Empresários e políticos - todos a monte e fé em Deus
- 22-Oct-2005 - 15:46
«Negócios cruzados, quem está com quem?» pergunta em manchete o Semanário Angolense que faz uma incursão ao mundo dos negócios em Angola e constata que andar sózinho no campo empresarial angolano é quase um suicídio. Ou seja, economia e política estão em escaldante promiscuidade ou, como diz a Voz da América, “montar um negócio sem o apoio de um político poderoso é um suicídio”. Afinal, mesmo 30 anso depois, ainda são visíveis regras portuguesas que (também 30 anos depois) vigoram neste jardim à beira mar plantado, mesmo no canto da Europa.
Por Orlando Castro
Também no reino português, agora sob a batuta do socialista José Sócrates, políticos e empresários jogam juntos, umbilicalmente presos a interesses comuns.
Essa teoria de cada macaco estar no seu galho só funciona para os pobres. Economia é economia, política é política? Tretas. Portugal, tal como Angola, vive uma perigosa promiscuidade entre estas duas importantes variantes da vida nacional.
Aliás, foi essa promiscuidade – lembram-se? - que fez com que o macaco acabasse por «comer» a mãe...
De há muito que os portugueses se habituaram a ver os agentes da vida pública (é certo que não só políticos ou empresários) todos misturados numa orgia colectiva que, cada vez mais, mostra que a moralidade e a equidistância são valores pouco relevantes para um país que está acostumado a jogar no sistema de todos a monte e fé em Deus.
Para comprovar tudo isso nem é preciso apelar à memória (também ela um valor irrelevante na nossa sociedade), basta olhar para a Assembleia da República ou, de forma mais trabalhosa, para as administrações das empresas, sejam públicas, privadas ou similares.
Dir-se-ia que, mais uma vez, não basta ser sério. Também é preciso parecê-lo. Mas, infelizmente, alguns dos nossos políticos, bem como muitos empresários, nem são sérios nem parecem sê-lo.
E quando, o que é raro, aparece um político ou um empresário a dizer que a obra prima do Mestre não é a mesma coisa que a prima do mestre de obras, logo surgem os arautos da desgraça a dizer que o Carmo e a Trindade vão cair.
E para que não caiam sugerem que tudo fique na mesma. Ou seja, políticos que são empresários, empresários que são políticos. Tudo para que, afinal, o país continue a cantar e a rir... embora de barriga vazia.
22.10.2005
orlando@orlandopressroom.com

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