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A (sub)missão
(im)possível
de Rogério Gomes

- 3-Nov-2005 - 18:00

Na crónica anterior meti-me com os jornalistas angolanos e, mostrando sangue na guelra, não tardaram a bater-me forte e feio. Ainda bem. Quem não se sente não é filho de boa gente. E, é claro, muitos deles, talvez a maioria, são filhos de gente muito boa. Um deles perguntou-me: “O facto de o ex-director do diário portuense O Comércio do Porto, Rogério Gomes, ser agora administrador da Empresa Águas de Gaia, não é também uma vil forma de (sub)missão?” Fiquei entalado.

Por Orlando Castro

Eis a minha defesa. O Jornalismo em Portugal vive um clima de turbulência resultante da perda de credibilidade. A coisa parece estar brava. Mas só parece. Como sempre, é mais a parra do que a uva.

Desde logo porque, ao contrário do que seria de esperar, os «macacos» não estão nos galhos certos. E quando assim acontece (e acontece muitas vezes), lá temos jornalistas que viram assessores de ministros ou, como no caso, um que passa a administrador.

O nosso Estado de Direito... democrático ainda é uma criança e, como tal, ainda há muitos vícios, deformações e preconceitos herdados que a muitos dá jeito conservar. É claro que o «quero, posso e mando» não serve nenhuma das partes. Não serve mas é praticado, não serve mas é estimulado. Não serve mas vai servindo.

A promiscuidade na sociedade portuguesa está de pedra e cal. Na Comunicação Social todos a querem independente mas, como é hábito, controlam essa independência pelos mais diferentes meios, sejam económicos, partidários, autárquicos ou outros.

O jornalismo que vamos tendo, qual reles bordel, aceita tudo e todos. No entanto, reconheça-se, os jornalistas sempre podem ser, para além de assessores, deputados, administradores de empresas públicas etc..

Se qualquer um pode ser jornalista, porque carga de água não podem os jornalistas ser administradores de empresas públicas, mesmo que municipais? Nem mais. É uma pequena vingança, mas mais vale pequena do que nenhuma. Não?

Se essa coisa que dá pelo nome de Comissão da Carteira Profissional de Jornalista entende que não é incompatível ser jornalista e deputado, deverá pensar o mesmo no caso do Rogério Gomes.

É claro que o Jornalismo não é isso. Mas também é claro que o «nosso» jornalismo é também isso. É e será enquanto os Jornalistas não colocaram a casa em ordem...

03.11.2005
orlando@orlandopressroom.com


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