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Savimbi, Cravinho e Hitler
- 7-Nov-2005 - 16:43
O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação do Governo português, de seu nome João Cravinho, em declarações ao Expresso, disse que «Savimbi foi um monstro, um Hitler africano”. Tendo as responsabilidade governativas que têm, e por isso não pode alegar que falou como simples cidadão, João Cravinho vinculou o Governo de José Sócrates (que não, obviamente, Portugal) a esta afirmação. Pena é que ninguém, Mário Soares – por exemplo, tenha ensinado a João Cravinho que se não sabe contar até 12, sempre se poderia descalçar.
Por Orlando Castro
Se Portugal é um Estado de Direito, das duas uma. Ou o secretário de Estado pede desculpa aos milhões de angolanos que gostam de Savimbi, nomeadamente à UNITA, ou é demitido.
Até agora tudo continua na mesma. E se assim continua é porque, de facto e de jure, Portugal não é um Estado de Direito.
O governante português não conhece certamente a realidade angolana. Do seu ponto de vista, do qual o Governo não se demarcou, Angola é sinónimo de MPLA e tudo o resto são monstros e hitleres.
Conclui-se, segundo o governante português, que Angola está cheia de monstros e hitleres, tantos são os angolanos que admiram Savimbi e reconhecem o contributo que deu para a Independência do país.
Savimbi tombou em combate ao lado das suas tropas e do Povo mártir, apanágio só concedido aos Grandes da História. Deixou-nos como maior e derradeiro legado a sua coragem e o consentimento do sacrifício máximo que pode conceder um combatente da liberdade, a sua Vida.
Fiel aos princípios sagrados que nortearam a criação da UNITA, Jonas Savimbi, rejeitando sempre e categoricamente os vários cenários de exílios dourados, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou na sua Pátria. A ela tudo deu e nada tirou, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no estrangeiro.
Fisicamente Savimbi morreu. Fisicamente foi humilhado. Mas uma coisa é certa. Não há nenhum João Cravinho que derrote, mate ou humilhe uma cultura, um povo, uma forma eterna de ser e de estar.
«Há coisas que não se definem - sentem-se». Foi isto que há 30 anos me disse, no Huambo, Jonas Malheiro Savimbi.
É isto que João Cravinho nunca compreenderá. A UNITA não se define - sente-se. Jonas Malheiro Savimbi não se define - sente-se. Angola não se define - sente-se.
E porque se sente, e não há maneira de matar o que se sente, é que Jonas Malheiro Savimbi, continuará na História, mau grado as tentativas dos Cravinhos que não fora a sorte de viverem na Europa não conseguiriam aplaudir o que é válido porque teriam medo de cair da árvore.
orlando@orlandopressroom.com
07.11.2005

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