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Savimbi, Cravinho e Hitler (parte II)
- 11-Nov-2005 - 0:44
No início de Novembro de 2001, o então secretário para as relações exteriores do MPLA, Paulo Teixeira Jorge, reafirmava as criticas ao Governo português, defendendo que não deveria permitir que "portugueses de ocasião" interfiram nos assuntos internos de Angola. Quem diria que já nessa altura os homens do MPLA estavam a prever que João Gomes Cravinho seria um “português de ocasião” e que iria deitar faladura? É obra!
Por Orlando Castro
Paulo Teixeira Jorge teria já ouvido falar nessa altura de democracia e de Estado de Direito. Mas, tal como hoje acontece com João Cravinho, não sabia o que isso era e, por isso, julgava-se no direito de dar palpites enquanto detentor de uma cadeira do Poder.
Já que José Sócrates tudo faz para passar ao lado da polémica, talvez Jorge Sampaio possa lembrar a João Cravinho que, como então dizia Paulo Jorge, "existe o princípio universal da não ingerência nos assuntos internos de outro Estado”, pelo que “Portugal, através dos órgãos competentes, poderia recomendar a esses ditos portugueses para não se meterem nos assuntos internos de Angola".
Portugal, convirá que João Cravinho o entenda de uma vez por todas, é uma nação livre e que, exactamente por isso, sabe que a sua liberdade termina onde começa a dos outros. Cravinho, e com ele todo o Governo socialista de Lisboa, deve saber que as afirmações sobre Jonas Savimbi são, de facto, o caminho mais curto para o Futungo de Belas, mas não para a civilização.
Cravinho, honra lhe seja feita, assume-se (utilizando as palavras de Paulo Jorge) como um «português de ocasião». Pena é que José Sócrates aceite ter no Governo um político transitório que ainda não percebeu que, mesmo com todo o apoio dos amigos do MPLA, o máximo que conseguirá é ser um «angolano de ocasião»
E, quer para uns quer para outros, a vida não está fácil. Nunca conseguirão bater palmas quando o chefe mandar. Os que já tentaram bater palmas cairam das árvores.
PS – Viva a Dipanda. Os angolanos merecem ser felizes. Esse dia chegará, seja porque a luta continua, porque somos um só povo, uma só Nação ou, ainda, porque unidos venceremos.
11.11.2005
orlando@orlandopressroom.com

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