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A Lusa despediu Cruz Gomes
- 23-Nov-2005 - 14:53
Fernando Cruz Gomes trabalhava para a Lusa há mais de 20 anos. Foi agora despedido. Segundo a Associação Internacional de Jornalistas (AIJ), da qual é presidente, trata.se de “uma medida que pode apresentar laivos de motivação política, já que é de todos conhecida a posição que esta associação de jornalistas e órgãos de comunicação social das comunidades portuguesas tomou face à famigerada revista trimestral que o Governo vai ajudar a editar e a transportar para as comunidades, sem cuidar que isso prejudica, e grandemente, os órgãos de Informação que estão no terreno”. Diz ainda a Associação que “é no auge da luta que a AIJ tem travado contra esta medida arbitrária do Governo que surge a notícia da denúncia do contrato com o jornalista”. Coincidências? Não creio.
Por Orlando Castro
Tenho a certeza de que o despedimento de Cruz Gomes não se baseou em questões de competência. Nesta matéria, ele é dos melhores entre todos os que no mundo se expressam em português.
Creio, contudo, que o que para nós é competência não é o mesmo para os que têm o Poder na Lusa. Cruz Gomes sempre defendeu que dizer o que se pensa ser a verdade é a melhor qualidade dos Josnalistas. E é aqui que está o busílis. Ou seja, a verdade em Portugal só o é se for em favor de quem está no Poder.
Por alguma razão a “verdade” para o Tribunal de Contas foi assegurada por um socialista, Guilherme d’ Oliveira Martins. Por alguma razão a “verdade” para a Galp foi assegurada por um socialista, Fernando Gomes. Por alguma razão a “verdade” para a Caixa Geral de Depósitos foi assegurada por um socialista, Armando Vara. Por alguma razão a “verdade” nas negociações entre o Estado e os italianos da ENI no processo de recomposição accionista da Galp foi assegurada por um socialista, António Vitorino.
Fernando Cruz Gomes não precisa, nunca precisou, de se descalçar para contar até 12; nunca confundiu a obra prima do Mestre com a prima do mestre de obras; nunca foi moço de recados; nunca vendeu a alma a troco de um prato de lentilhas.
Será que Portugal, nomeadamente a Lusa, se pode dar ao luxo de perder um profissional com estas características? Parece que sim. E se assim é, Portugal não só está cada vez perto do terceiro do Mundo como não tardará que seja sócio fundador do quarto Mundo.
orlando@orlandopressroom.com
23.11.2005

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