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A Lusa espelha
a mediocridade
do Governo

- 30-Nov-2005 - 17:30

Ao fim de 20 anos de trabalho sério e isento, reconhecido por todos aqueles que não têm de se descalçar para contar até 12, Fernando Cruz Gomes foi despedido da Lusa. Para além dos comentários deixados nesta secção no passado dia 23, volto a manifestar a minha indignação sobretudo porque, até prova em contrário, entendo que a demissão tem claros contornos politico-partidários. Recordo que há bem pouco tempo, Fernado Cruz Gomes foi convidado pelo Governo que antecedeu o de José Sócrates para um cargo na Direcção da Lusa. O Fernando (maldita seja a tua isenção!) não aceitou exactamente por ser um convite político. Apesar disso, a resposta chegou agora com a demissão.

Por Orlando Castro

Mais uma vez, e é bom que os portugueses tenham memória, o Governo de José Sócrates mostra o que (não) vale. O caso de Fernando Cruz Gomes revela que, feitas as contas, o PS e o governo que o suporta (ou será ao contrário?) preferem ser arruinados pelo elogio a serem salvos pela crítica.

Continuam a contratar mercenários para vencer uma guerra que só poderá ser ganha quando o primado da competência substituir o pujante primado da subserviência, do tráfico de influência e da propaganda. Continua, ao fim e ao cabo, a passar um atestado de menoridade aos portugueses na esperança, é claro, de que no ano das eleições as migalhas façam esquecer tudo.

Mesmo as novas gerações de políticos, e o PS tem alguns, não escapam a este defeito de fabrico. Quase todos eles não sabem fazer mais nada do que, a mando de quem manda, dizer mal das ideias dos outros e avançar com a teoria de que é preciso pôr em prática a tese do olho por olho, dente por dente... amigos ao poder.
E nenhum deles se lembra que, a ir para a frente essa tese, os portugueses acabarão todos cegos e desdentados.

Creio que os políticos portugueses têm alguma dificuldade em descer (ou subir) até ao Povo. Salvo nos períodos eleitorais, onde até os vemos a beijar crianças sujas de miséria, os políticos passam ao lado do (dito e maltratado) país real.

Um dia destes eles (eles, os milhões de portugueses das comunidades lusas que estão fartos de ser usados e abusados) vão dizer basta. Nessa altura o que estará em perigo, e estará mesmo - podem ter a certeza, será a democracia.

Creio, por isso, que quando os portugueses tiverem de escolher entre uma ditadura de barriga cheia e uma democracia com ela vazia, não terão grandes dúvidas.

Porque é fácil, barato e dá milhões, os democratas da praça portuguesa não estão interessados em falar destas questões. Acreditam que o Povo tem memória curta. E tem. É curta mas existe. E não será difícil recordar que, feitas as contas, continuam num regime de mediocridade, de fraudes, de injustiças, de corrupção e de nepotismo.

Ao que parece, ao que me parece, os políticos portugueses não olham para o Povo. Não olham, não ouvem, não lêem o que o Povo diz. Por isso, creio, estão a fornecer ao Povo a corda com que Ele vai, mais dia menos dia, enforcar esses mesmos políticos.

orlando@orlandopressroom.com
30.11.2005


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