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Afinal os políticos são uns santos
- 15-Dec-2005 - 19:40
Mário Soares, ainda pré-candidato (só segunda-feira entrega o processo de candidatura), tem criticado todos aqueles que dizem (é o meu caso) que (quase) todos os políticos e (quase) todos os partidos confundem a obra prima do Mestre com a prima do mestre de obras. "Por que é que andamos todos nesta hipocrisia de dizer que todo o mal está na política? É uma tara que se criou em Portugal", disse Soares. Será que o pré-candidato não sabe o que diz ou, na verdade, diz o que sabe?
Por Orlando Castro
Dando de barato que os Jornalistas são culpados (ainda bem!) de tudo isto, pergunto a Mário Soares se não será uma tara – como bem assinala do outro lado desta página o António Ribeiro - dizer que "não temos grandes empresários”, que “alguns, que falam contra o Estado, que gritam contra o Estado quando há algum problema, vêm com a mão sub-repticiamente pedir o seu subsidiozinho"?
Tara ou não, Soares é (entre muitas outras coisas) o “pai” desta democracia que temos e de muitos dos políticos que por aí andam, esses sim a estender a mão ao Estado para ter um tacho, uma assessoria ou algo similar.
Soares, pré-candidato, defende o modelo social europeu e manifesta a certeza de que "os trabalhadores europeus nunca deixarão cair o Estado social, porque os liberta da angústia do desemprego, da doença e da velhice".
Pois. E, nesta altura, estado social em Portugal é sinónimo de Partido Socialista/Governo. Quem tiver o cartão do partido fica liberto da angústia do desemprego e da doença. Da velhice não sei, mas é bem possível...
Soares tem-se empenhado em cativar o voto dos jovens, defendendo que o país deve apostar "na inteligência dos mais jovens". Esses, os mais inteligentes, estão de partida para o estrangeiro. Para já, sabe-se que um quinto dos portugueses com ensino superior não está em Portugal.
E os que ainda por cá andam, fazem-no certamente por serem tara(dos).
E o resto, como aqui no NL dizia há uns tempos o Fernando Cruz Gomes, vai-se sabendo aos poucos... Nas filas de espera para um simples cuidado de saúde. Nas ruas onde desaguam as nossas raivinhas e queixas. Nos becos (alguns sem saída) das nossas crises. Becos por onde certamente vegetará (de quem é a culpa?) aquele ex-combatente do Ultramar que, em Barcelos, manifestou o seu direito à indignação dizendo o que pensava do pré-candidato Mário Soares.
orlando@orlandopressroom.com
15.12,2005

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