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  Entrevista
Mari Alkatiri reconhece erros e excessos cometidos no passado
- 21-Dec-2005 - 14:19


Durante a guerra civil timorense, em 1975, e ao longo do período de resistência à ocupação indonésia, a FRETILIN cometeu "erros que foram efectivamente excessos", disse hoje o secretário-geral do partido, Mari Alkatiri.


O comentário de Mari Alkatiri vem na sequência das revelações do relatório elaborado pela Comissão de Verdade, Acolhimento e Reconciliação (CAVR).

"Como tenho dito reiteradamente, a FRETILIN assume o activo e o passivo de toda a luta de libertação nacional. Quem assume a responsabilidade de fazer uma luta e não comete erros, particularmente perante um inimigo tão poderoso? Nós também cometemos erros. E houve erros que foram efectivamente excessos", desta cou Alkatiri.

O relatório passa em revista as violações dos direitos humanos praticadas em Timor-Leste entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Outubro de 1999.

A grande quantidade de pormenores sangrentos das violações aos direitos humanos, que segundo a CAVR envolveu as forças de segurança indonésias e as milícias timorenses e, nalguns casos, a própria FRETILIN, está na base da decisão dos líderes políticos timorenses em salvaguardar as conclusões e proceder de forma calculada à sua divulgação.

"Para a FRETILIN não há problema algum em se proceder à divulgação do relatório da CAVR, desde que isso não tenha como consequência a perseguição do passado. O reforço da estabilidade é contraditório com a perseguição do passado", defendeu.

Para Mari Alkatiri, os timorenses são quem melhor conhece o conteúdo do documento, porque, explicou, "foi o povo que os revelou à CAVR e o povo é da FRETILIN".

Relativamente à alegação que a guerra civil timorense, que opôs a UDT e a FRETILIN e que antecipou a invasão indonésia, terá provocado cerca de três mil mortos, o secretário-geral do partido governamental timorense rejeita liminarm ente aquele número.

"É absolutamente mentira que tenha havido três mil pessoas mortas na guerra civil. Morreram algumas centenas em Ermera e Maubisse, algumas dezenas em Díli e isoladamente noutras áreas. Esse número terá sido avançado por alguns estr angeiros entrevistados pela CAVR", vincou.

Constituindo uma peça da história recente de Timor-Leste, o relatório é agora também motivo de disputa política, com as organizações de direitos humanos e a hierarquia católica timorense a pressionarem no sentido da sua divulgação, enquanto os órgãos de soberania de Timor-Leste insistem no controlo da sua divulgação.

De uma forma ou de outra, o relatório da CAVR vai contribuir para que todos os que nele estão representados, vítimas e algozes, revivam os aconteciment os espoletados há 30 anos.


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