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O Ezequiel - É claro!
- 29-Dec-2005 - 15:53
«Tenho um amigo que um dia me disse que até aos 25 anos de idade tinha tentado mudar o mundo. Dos 25 aos 35 tinha tentado mudar algumas coisas. Depois dos 35, só queria que o não o mudassem. Nunca consegui perceber este tipo de posicionamento e talvez por isso vivo, todos os dias, em sobressalto mantendo a vontade de lutar e revoltando-me com as injustiças que encontro a cada passo. Passo em que, como tu dizes, por vezes se tropeça e cai, sem que ninguém nos ajude a levantar. Ao ler a tua página e apesar de não nos vermos durante anos, percebi que não estava sozinho. Ao encontrar uma mensagem do Eduardo, percebi porque é que " Não há longe nem distância".
Por Orlando Castro
«Estávamos como tu bem te lembras juntos todos os dias nas horas boas ou más, estamos hoje separados, todos, mas cada um de nós sabe que embora sem possibilidade de nos olharmos olhos nos olhos, estamos ainda unidos. Falta um... que é a preocupação oculta de cada um de nós, falta o João Ezequiel de Jesus Vieira Fernandes, o "Sete" o "Ezequinas" o amigo do peito que de carro saiu em coluna de Nova Lisboa a caminho da Africa do Sul». Já não falta, acabamos de o localizar na África do Sul. Agora, caro Fino, estamos todos juntos.
Tudo o que acima está entre aspas foi escrito, em 9 de Junho de 2001, pelo Fernando Frade, o Fino. E o que se segue também é da autoria dele.
«Perdi-lhe o rasto no Namibe e tenho saudades de lhe dar um abraço. Um dia havemos de voltar... Meu irmão, que saudades tenho do Laboratório de Fotografia, da Voz dos Mais Novos , do Mukanda, da tua casa, da minha, das outras.
Que triteza eu tenho de não poder apontar com o dedo e dizer ao meu filho que nasci ali, naquela casa.
E a revolta, Orlando... de não poder voltar a visitar a minha infância, de não poder voltar a fazer festas no meu boxer, de não ir tomar um café ao aeroporto, de não me sentar ao fim da tarde no muro do Liceu, de não poder voltar a visitar o Colégio dos Padres, de não poder ir ver os meus cavalos à Quissala...
Meu irmão, aquele abraço e mais uma vêz deste uma lição a todos nós... continuas a ser o timoneiro. »
E não é que, ontem, o Fino me liga (chateado por eu ter o telemóvel desligado durante horas) para me dizer: Descobri o Ezequiel. E descobriu mesmo. Está na África do Sul. Há 30 anos que nada sabíamos dele. Ele que é uma parte de nós. Uma parte essencial.
Durante estes 30 anos tudo foi feito para o descobrir. Nada resultara. Mas eis que, como diz o Fino, o Pai Natal resolveu dar-nos este ano a melhor das melhores prendas: o Ezequiel. O João Ezequiel de Jesus Vieira Fernandes. O "Sete", o "Ezequinas", o amigo do peito.
Obrigado Pai Natal.
orlando@orlandopressroom.com
29.12.2005

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