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Entrevista
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A próxima rainha de Portugal
- 6-Jan-2006 - 23:32
No próximo dia 22 os portugueses vão eleger mais um Presidente da República. Tem que ser. O actual já não pode continuar no cargo por ter atingido o limite de mandatos consecutivos. Não fosse essa imposição legal e era escusada toda esta campanha eleitoral e o país poupava alguns milhares de euros que tanta falta fazem.
A avaliar pelas declarações prestadas em entrevistas e dabates pelos próprios candidatos, os portugueses irão eleger uma espécie de rainha de Inglaterra.
Segundo os próprios, o Presidente da República não pode fazer grande coisa a não ser manter boas relações com o governo. Irão cumprir rigorosamente a Constituição que, segundo eles, não deixa grande margem de intervenção ao Presidente.
Se calhar também nem é preciso. Se os candidatos não se pronunciam sobre a Ota e o TGV porque não conhecem os "dossiers", não dão uma ideia clara do que acham da corrupção enorme que corroi o país, da criminalidade cada vez mais violenta, do peso excessivo e ineficácia do Estado, da bagunça da justiça, da promiscuidade entre a política e os negócios, do aumento das desigualdades sociais, enfim, de todos os grandes problemas que afectam e preocupam os portugueses, apontando caminhos para a sua resolução, porque é que havemos de escolher um deles?
Se os candidatos gastam os seus tempos de intervenção a criticar e a apontar defeitos aos outros concorrentes, ou a queixarem-se da comunicação social em vez de dizerem aos portugueses como podem resolver ou ajudar a resolver os problemas do país, porque é que havemos de escolher um deles?
E porque será que eles querem tanto o lugar, se não podem fazer nada?
Se calhar é mesmo pelo surrealismo.
Imagine o leitor como se sentiria, sendo agnóstico ou ateu, condecorar, como presidente de um país laico, um dirigente muçulmano com uma ordem católica...
Quem disse que o presidente não pode fazer nada?
António J. Ribeiro

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