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Dia de reflexão sobre a Lusofonia

- 21-Jan-2006 - 13:51

Eugénio Costa Almeida, um dos maiores especialistas lusófonos em questões de Lusofonia, perguntou aos candidatos às eleições presidenciais portuguesas, que amanhã terão lugar, o que pensavam das relações com a Lusofonia em geral e, em particular, com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Não sei se será só por si sintomático, mas a verdade é que só um dos candidatos respondeu. Das duas uma. Ou a Lusofonia não lhes interessa, ou... a Lusofonia não lhes interessa. Com candidatos assim quase apetece dizer: Venha o Diabo e escolha.

Por Orlando Castro

O único que respondeu foi Francisco Louçã. O candidato afirmou que as as relações “…são decisivas e farei tudo por melhorar e estabilizar a cooperação económica e diplomática […] com os países africanos e com Timor”.

Eugénio Costa Almeida relembra que já na campanha eleitoral para as Legislativas portuguesas, de Fevereiro do ano passado, ficou sem resposta ao mesmo tipo de questão (excepto um partido que remeteu para o seu programa e outro que respondeu após as eleições).

«Estas não-respostas podem ser uma clara resposta ao pensamento dos candidatos à eterna questão sobre a oportunidade da Lusofonia, ou à falta dela», afirma aquele especialista que, como eu, até entende que se calhar o Governo português deveria ter um Ministério da Lusofonia ou, no mínimo, uma Secretaria de Estado vocacionada exclusivamente para a Lusofonia.

E é neste contexto que hoje, dia de reflexão, medito sobre qual o candidato que melhor poderá dar resposta, ou contribuir para ela, a uma questão que envolve mais de 220 milhões de pessoas em todos os cantos do mundo.

É evidente que, a fazer fé na campanha que ontem terminou, os candidatos têm muito mais com que se preocupar.

Desde logo porque desses 220 milhões só cerca de seis milhões dirão amanhã quem querem na Presidência. Ou seja, as prioridades têm mais a ver com a captação dos votos do que com as questões estratégicas para o país.

E, do meu ponto de vista, a Lusofonia é uma questão estratégica para Portugal. Assim não pensam (ao que parece) os políticos portugueses.

Tudo porque, ao leme do navio continuam a cantar e a rir sem se aperceberem que a embarcação está a meter água por todos os lados.

orlando@orlandopressroom.com
21.01.2006

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