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Constâncio merecia mais seriedade

- 25-Jan-2006 - 18:48

O Governo português, com toda a legitimidade legal, resolveu reconduzir Vítor Constâncio no cargo de governador do Banco de Portugal. A recondução cheira, contudo, a alguma ilegitimidade moral. Desde logo porque o mandato do governador só termina em Abril e, antes disso, há a tomada de posse do novo Presidente da República. Não ficaria mal que, mesmo sendo sério, o Governo de José Sócrates procurasse parecê-lo.

Por Orlando Castro

Viria algum mal ao mundo se o recondução fosse feita já com a concordância do novo Presidente? Não creio.

Dir-me-ão que não foi por mal. Pois não. Também não foi por mal que José Sócrates resolveu falar na noite eleitoral em cima da intervenção de Manuel Alegre, por sinal o candidato que ficou em segundo lugar.

Também não terá sido por mal que Constâncio esperou pela última sexta-feira de campanha eleitoral para divulgar números que indicavam uma ligeira melhoria dos indicadores económicos.

Como disse hoje no Parlamento o deputado do CSD/PP Nuno Melo, creio que de facto o PS "não descansará enquanto não conseguir ocupar todos os cargos relevantes" na área das finanças com pessoas ligadas ao PS.

Na resposta ao deputado do PP, o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, lembrou que "a designação do governador do Banco de Portugal é da competência do Governo" e elogiou a isenção de Vítor Constâncio.

É sempre assim. Não se trata de competência ou de legalidade. Mas, antes, de moralidade. E esta, creio, não é uma característica deste Governo.

"Estou convicto que dificilmente haverá alguém aqui dentro desta câmara ou lá fora que ponha em causa a isenção, competência e idoneidade do dr. Vítor Constâncio", realçou Alberto Martins.

Pois. Mas o que está em causa não é a isenção, competência e idoneidade de Vítor Constâncio. O que está em causa é a isenção, competência e idoneidade do Governo.

O que, convenhamos, são coisas diferentes. Bem diferentes.

orlando@orlandopressroom.com
25.01.2006


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