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Jornalismo e jornalismos
- 29-Jan-2006 - 14:59
Helder Bastos, antigo companheiro de “manicómio” e hoje Docente universitário, assistente convidado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto na licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação, desejou, entre outras coisas, que em 2006 os jornais fizessem mais jornalismo de investigação (“já ouço as gargalhadas do pessoal nas redacções...”, diz ele); contextualizassem melhor os assuntos; chapassem muito menos com o telejornal da noite anterior nas páginas e mandassem a agenda das conferências de imprensa e dos bitaites dos políticos de serviço às malvas. Como ele sabe destas coisas...
Por Orlando Castro
Além disso, desejou que os jornais “mandassem alguns colunistas profundamente chatos, nuns casos, e altamente duvidosos, noutros casos, dar uma volta ao bilhar grande do 24 Horas, esse excelente diário de trágica qualidade; apostassem, a sério, na reportagem fotográfica e na infografia; abandonassem de vez as tentações fashion, people e de humor de pechisbeque (...) abrissem as páginas a novas áreas temáticas”.
Helder Bastos diz ainda que “são votos de um simples leitor” e que “do outro lado, isso exigiria bons "patrões", bons directores, bons editores, bons repórteres... “, terminando com uma frase lapidar: “ Mas esse país assim ainda está por inventar”.
António José Teixeira, antes de ser Director do DN (Julho de 2005), dizia que “o jornalismo está mais preocupado com os cidadãos, enquanto os media olham sobretudo para as audiências”, que “é o mercado que preocupa os media, enquanto que o jornalismo se direcciona para o público”, que “o jornalismo tem preocupações políticas, os media preocupações económicas”, que “o jornalismo empenha-se na democracia, os media privilegiam a sociedade global”.
Recordemos, por uma questão de memória e apenas por isso, que António José Teixeira considerava que “que a democracia se verga demasiadas vezes ao peso dos lobbies, aos interesses particulares, e o jornalismo contemporâneo vai acompanhando a tendência”, acrescentando que “os jornalistas vão-lhe dando palco, convencidos – e às vezes só mesmo os jornalistas parecem convencidos – de que são eles que decidem quem entra, ou não entra, em cena…”
«É aqui que se joga a credibilidade e a autonomia do jornalismo em relação aos puros interesses da gestão empresarial e a todos os outros que interagem à sua volta”, dizia o actual Director do DN na comunicação apresentada nos XII Cursos Internacionais de Verão de Cascais, sob o terma “A comunicação e o poder económico”.
Tudo é terrível porque as palavras voam mas os escritos permanecem.
orlando@orlandopressroom.com
20.01.2006

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