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Timor Lorosae
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Ocupação indonésia provocou a morte de pelo menos 102.800 timorenses
- 2-Feb-2006 - 14:38
Mais de 100 mil timorenses foram mortos ou morreram devido à fome e doença, em consequência da ocupação indonésia, revela o relatório elaborado pela Comissão de Acolhimento Verdade e Reconciliação (CAVR), há três dias disponível na Internet.
O documento, de que alguns extractos já tinham surgido na imprensa internacional, revela ainda que cerca de 85 por cento das violações dos direitos humanos directamente reportadas à CAVR foram cometidas pelas forças de segurança indonésias de forma isolada, ou em conluio com as milícias pró-indonésias.
O relatório da CAVR, escrito a partir de 18 meses de trabalho no terreno, onde foram realizadas mais de 1.500 acções de reconciliação comunitária, com vítimas e violadores frente a frente, e identificadas mais de 8.000 vítimas, intitula-se "Chega!", expressão que representa um alerta às consciências para que o que se passou nunca mais volte repetir-se.
O rol de violações descrito varia entre execuções colectivas a deslocamentos forçados da população civil, passando por estupros, actos de tortura e abusos de crianças.
Os crimes não são somente atribuídos às forças de segurança e militares indonésias.
Aproximadamente 10 por cento das violações dos direitos humanos reportadas à Comissão foram cometidas pelas forças pró- independência, mas o relatório sublinha que ao contrário dos indonésios os líderes da FRETILIN aceitaram a responsabilidade daqueles actos e cooperaram com a CAVR.
Ao longo das 2.500 páginas do relatório, os testemunhos das vítimas destacam que as violações dos direitos humanos foram executadas de "forma massiva, em extensão e sistematicamente", com as forças de ocupação indonésias a usarem a fome como arma de guerra, cometendo execuções arbitrárias e infligindo, de forma rotineira, torturas a quem fosse suspeito de simpatizar com as forças da resistência.
Nesta práticas incluem-se estupros e a utilização das mulheres timorenses como escravas sexuais.
Entre as armas empregues em Timor-Leste, o relatório destaca que o governo indonésio e o comando militar violaram a legislação internacional ao utilizarem, por exemplo, "napalm" em áreas predominantemente habitadas por civis.
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