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A minha tradução do apelo de Nino
- 9-Feb-2006 - 15:49
O presidente guineense, segundo li aqui ao lado, exortou hoje os profissionais de comunicação social que operam no país a adoptarem uma postura de isenção, idoneidade e espírito crítico no tratamento de informações contribuindo assim para a formação cívica da população. Quem diria? Cheira-me que a tradução do que Nino Vieira disse é qualquer coisa como “isentos e idóneos são os que estiveram comigo”. Nas ditaduras é essa a tradução.
Por Orlando Castro
Dirigindo-se aos jornalistas, o presidente guineense exortou-os a participar nas metas da reconciliação nacional que fixou como lema do ano em curso, ajudando o país a "dar o salto qualitativo" rumo ao desenvolvimento.
Cuidado. Todo o cuidado é pouco. Dar o salto qualitativo num regime comandado por Nino Vieira é como dar um salto para o abismo.
"Convido-vos pois, a assumirem e a integrarem no vosso ingrato quotidiano, os complexos e difíceis desafios que todos temos que enfrentar para o engrandecimento da Guiné-Bissau", acrescentou.
Cheira-me, desculpem o cepticismo, que Nino quer fornecer ao jornalistas a corda com que mais cedo ou mais tarde os vai enforcar.
É que, deste vez, o presidente guineense alargou o pedido às igrejas, sindicatos, organizações não governamentais, associações sócio profissionais e culturais, humanitárias e de defesa dos direitos humanos a juntarem-se ao processo de construção de "uma nova consciência nacional".
Que os guineenses têm consciência e querem lutar pelo seu país, não tenho dúvidas. O mesmo não penso, até pelo “trabalho” que fez quando ocupou a mesma cadeira, de Nino Vieira.
Segundo "Nino" Vieira toda a acção destas organizações deve ter como finalidade a criação de uma sociedade e opinião pública clarividente, responsável, não partidarizada, nem enfeudada a interesses particulares.
Quando a esmola é grande o pobre desconfia...
orlando@orlandopressroom.com
09.02.2006

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