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Sampaio passou ao lado da Lusofonia
- 7-Mar-2006 - 15:36
Durante os dois mandatos, Jorge Sampaio condecorou mais de 1 900 pessoas. Fez 113 visitas ao estrangeiro, 308 a concelhos do país, teve 241 reuniões de trabalho com quatro primeiros-ministros e publicou 26 livros. Foi um presidente, reconheça-se, activo. Não sei a razão, mas terá sido com certeza de peso, que fez com que o presidente português não tenha feito nenhuma visita de Estado ao longo destes dez anos a Angola. Terá sido, creio, uma original forma de cimentar os laços bilaterais e, ainda, de dar maior pujança a essa coisa que dá pelo nome de Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
Por Orlando Castro
Sampaio começou por Cabo Verde (1996) e terminou em Timor-Leste (2006). Na sua volta ao Mundo (dizem-me que este é uma barómetro basilar na actividade dos presidentes) o Chefe de Estado português passou pelos cinco continentes, com destaque para a Europa (24 viagens de Estado) e países de expressão portuguesa (cinco viagens de Estado, duas a Cabo Verde).
Faltou tempo para Angola. Faltou, esclareça-se, em termos de visita de Estado já que, em 1997, assistiu à tomada de posse do governo de unidade e reconciliação nacional.
A educação (tema de três presidências abertas, em 1998, 1999 e 2004) e a inovação e competitividade (1997, 1999, 2003, 2005) foram as áreas a que Jorge Sampaio dedicou mais voltas pelo país. Em dez anos visitou 135 escolas (67 do ensino secundário, básico ou pré-escolar, 68 do ensino superior universitário ou politécnico) e 104 empresas (27 no norte, 53 no centro, 22 no sul e duas nas regiões autónomas).
Como a cada cabeça cabe uma sentença, o balanço da actividade de Jorge Sampaio dá para tudo. O sociólogo Manuel Villaverde Cabral, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, diz que o Presidente «levou ao extremo as ambiguidades do semi-presidencialismo».
Cá por mim, penso que poderia e deveria ter feito muito mais pela Lusofonia, ou seja pelos mais de 220 milhões de cidadãos que pensam em português.
«Do meu ponto de vista, livrar o país de um incompetente primeiro-ministro (Santana Lopes) terá sido um importante contributo para dar dignidade à função de primeiro-ministro», considera Belmiro de Azevedo.
Cá por mim, penso que poderia e deveria ter feito muito mais pela Lusofonia, ou seja pelos mais de 220 milhões de cidadãos que pensam em português. Mas, é claro, esta é uma questão que pouco interessa a Portugal. Mais interessados nela estão, por exemplo, os chineses. Para mal dos nossos (muitos) pecados.
orlando@orlandopressroom.com
07.03.2006

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