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O que (não) diz a CPLP
- 20-Mar-2006 - 17:08
O secretário-geral das Nações Unidas, Koffi Annan, disse recentemente que a ausência de diálogo político na Guine-Bissau mina as duas mais vitais instituições do país, se é que se trata de um país, o Supremo Tribunal e o Parlamento. Embora estas afirmações não tragam nada de novo, creio que é bom serem ditas. Creio eu e mais meia dúzia de malucos. Mas, afinal, o melhor deve ser o silêncio... a fazer fé nesse elefante branco que dá pelo nome se Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
Por Orlando Castro
Diz a CPLP, perdão, a ONU, que a situação geral na Guiné-Bissau permanece dominada pela tensão política protagonizada pelos partidos e personalidades políticas.
Diz a CPLP, perdão, a ONU, que a ausência de um espírito de diálogo construtivo nos últimos tempos resultou em consequências graves nomeadamente na quebra da credibilidade do Supremo Tribunal, cujas decisões foram postas em causa pelos opositores ao governo guineense, aquando do seu pronunciamento sobre a legalidade do decreto presidencial que indigitou Aristides Gomes para a chefia do novo governo, e do presidente do parlamento, este ultimo posto em causa pelos deputados afectos a bancada que apoia o governo.
Diz a CPLP, perdão, a ONU, que apesar dos intervenientes políticos guineenses terem reafirmado o seu compromisso para com um clima de diálogo construtivo e reconciliatório, são poucos os indícios de uma vontade sólida em prol da busca de soluções consensuais para os problemas de interesse publico.
Diz a CPLP, perdão, a ONU, que os políticos e os governantes do país devem restabelecer a autoridade das instituições democráticas e colocar de lado as divergências do passado e a trabalharem em prol de uma reconciliação nacional sustentável.
Por fim, como a CPLP não diz o que sabe nem sabe o que diz, se calhar o silêncio é a melhor arma. Nada melhor do que estar calado para não dizer asneiras; nada melhor do que nada fazer para não errar: nada melhor do que estar do lados dos poucos que têm milhões e não, como devia, dos milhões que têm pouco... ou nada.
orlando@orlandopressroom.com
20.03.2006

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