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Entrevista
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«País bateu no fundo e é preciso mudar de presidente», diz Posser da Costa
- 22-Mar-2006 - 16:43
O candidato do partido no poder às eleições legislativas de domingo em São Tomé e Príncipe afirmou hoje que, nos últimos quatro anos, o país "bateu no fundo", defendendo que a estabilidade só é possível se o Presidente mudar.
Por Vera Magarreiro
da Agência Lusa
Em entrevista à Agência Lusa, o líder do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social- Democrata (MLSTP-PSD), Guilherme Posser da Costa, responsabilizou o Presidente são-tomense, Fradique de Menezes, pela instabilidade no país, que na legislatura que agora termina teve quatro chefes de Governo.
Posser da Costa defendeu que caso o povo volte a escolher Fradique de Menezes nas presidenciais deste ano, então será necessário que o presidente "deixe de ser obcecado com a ideia de ser o senhor absoluto do país" e de agir como se de um regime presidencialista se tratasse.
"O regime semi-presidencialista é tão bom como qualquer outro desde que se respeite as competências dos vários órgãos de soberania", como está consagrado na Constituição, considerou o presidente do MLSTP-PSD.
Questionado sobre o apoio do Presidente da República à coligação Movimento Democrático Força da Mudança - Partido da Convergência Democrática (MDFM-PCD), Posser da Costa acusou Fradique de Menezes de "violar a Constituição".
"O Presidente tem uma atitude provocatória, porque não se coíbe de dizer que é o líder e até organiza reuniões do partido na sua residência privada", acusou.
"Uma pessoa que não respeita a lei que jurou defender não é uma pessoa que mereça a confiança do nosso povo", acrescentou Posser da Costa.
O presidente do MLSTP-PSD, que se assume como candidato a primeiro-ministro ao contrário de alguns partidos que não avançam com um nome até serem conhecidos os resultados eleitorais, manifestou-se, no entanto, disponível, caso seja eleito, a cooperar com o Presidente da República a bem da "estabilidade e desenvolvimento do país", que nos últimos quatro anos "bateu no fundo".
Alegando que a instabilidade não permitiu ao MLSTP- PSD aplicar o seu programa de governo, Posser da Costa continua a defender as mesmas medidas para a próxima legislatura.
Neste sentido, definiu como prioridades a "estabilização da economia para criar condições ao investimento nacional e estrangeiro", uma "boa política fiscal e o controlo da oscilação da moeda", o "relançamento da agricultura" e a uma aposta "a curto e médio prazo no turismo".
A nível social, o candidato defendeu a melhoria das condições de vida da população, que implica a criação de "pelo menos seis mil postos de trabalho numa legislatura" para "conseguir as bases para o desenvolvimento económico".
Nesta área, a aposta principal, segundo o presidente do MLSTP-PSD, é a "formação dos jovens para os colocar nas pequenas e médias empresas, cabendo ao Estado subsidiar os ordenados nos primeiros meses de trabalho como forma de incentivo".
O objectivo de Posser da Costa é também envolver os jovens em parcerias o Estado, através das câmaras municipais, e com organizações não governamentais em actividades como a defesa do ambiente e trabalhos com a comunidade, nomeadamente ao nível da saúde e educação.
Como forma de sair do "fundo", Posser da Costa defendeu a necessidade de "relançar a imagem do Estado", "credibilizá-lo" através "da transparência e da boa governação" e da profissionalização da administração pública porque, caso contrário, "todo e qualquer esforço cai por terra". "Temos de ter a coragem de pagar bem aos nossos funcionários, que por serem mal pagos recorrem muitas vezes a outras actividades, nem sempre legais e fora do seu âmbito profissional", disse.
A imagem externa do país também deve ser mudada, segundo o candidato, para "restabelecer a confiança externa junto dos parceiros e assim atrair investimento estrangeiro".
Questionado pela Lusa sobre se o país tem sabido gerir as receitas do petróleo, Posser da Costa admitiu que no início a gestão não foi feita "da melhor maneira", mas justificou com a "falta de legislação adequada".
"Neste momento já temos a lei de utilização dos recursos do petróleo e temos de saber respeitá-la. A obediência a essa lei, o controlo da Assembleia Nacional e a transparência dos concursos públicos irão forçar qualquer governo a fazer uma boa gestão", considerou.
Sobre as garantias à população de que as receitas serão utilizadas para melhorar as suas condições de vida, o candidato considerou que existem, porque "o dinheiro vai para uma conta nacional do petróleo" que será usado para "reforçar o Orçamento Geral do Estado" e lembrou que todos os projectos têm que ser aprovados pela Assembleia, com o aval do Presidente e do responsável do Banco Central são- tomense, havendo assim um "maior controlo".
Instado a justificar a origem do financiamento da campanha do seu partido, dado que o Governo não disponibilizou verbas, Posser da Costa afirmou que o dinheiro vem dos "militantes e de empréstimos bancários" contraídos pelos dirigentes e ainda de "donativos resultantes de actividades do partido".
À pergunta directa se o MLSTP-PSD recorre ao tradicional "banho", em que as candidaturas oferecem dinheiro aos eleitores para a compra do voto, Posser da Costa respondeu que não, justificando que o seu partido até é "dos que tem menos meios para esta campanha".
No entanto, disse que se o partido tivesse verbas, gostaria de "oferecer festas aos apoiantes", dar "o banho" com almoços e jantares, acabando por admitir "algum apoio" aos núcleos do MLSTP-PSD em vários distritos do país para "obras sociais".
Sobre a forma como tem decorrido a campanha eleitoral, Posser da Costa considerou que "tem corrido bastante bem, na ordem, na solidariedade", mas manifestou o receio de que "nos momentos derradeiros, possa piorar".
Às quintas eleições legislativas desde a abertura ao multipartidarismo, em 1990, concorrem dez forças políticas - duas coligações, sete partidos políticos e um movimento cívico - aos 55 assentos da Assembleia Nacional (parlamento).
No entanto, apenas três são apontadas como prováveis vencedoras: o MLSTP-PSD, a coligação MDFM-PCD e a Acção Democrática Independente (ADI), de Patrice Trovoada, filho do ex-presidente Miguel Trovoada.

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