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Entrevista
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«Apoio do presidente é insuficiente para garantir a vitória»
- 22-Mar-2006 - 17:38
O apoio do Presidente da República, Fradique de Menezes, à coligação MDFM-PCD nas legislativas de domingo em São Tomé e Príncipe é insuficiente para garantir a vitória, afirmou hoje o líder de uma das forças coligadas.
Por Vera Magarreiro
da Agência Lusa
Em entrevista à Agência Lusa, Tomé Vera Cruz, secretário-geral do Movimento Democrático Força da Mudança - Partido Liberal (MDFM-PL), que volta a concorrer coligado com o Partido da Convergência Democrática (PCD), afirmou que o que determina a vitória "é a capacidade de fazer passar a mensagem ao eleitorado" de que o programa proposto "vai mesmo ser cumprido".
Sem refutar o apoio dado pelo presidente são-tomense, Vera Cruz, cujo partido que lidera é também conhecido como Movimento de Defesa de Fradique de Menezes, alegou que "também outros partidos têm o apoio de figuras que já foram presidentes", como o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social-Democrata (MLSTP- PSD, no poder), com Manuel Pinto da Costa, ou a Acção Democrática Independente (ADI), de Patrice Trovoada, com o apoio do pai, Miguel Trovoada.
"Nós (coligação) damos garantias que vamos cumprir aquilo que prometemos, nomeadamente mais acção para a melhoria das condições de vida da população, que é a nossa maior prioridade", disse o secretário- geral do MDFM-PL.
"Hoje, ter o apoio do Presidente não é garantia de vitória, tal como também não é através da injecção de dinheiro porque, apesar de pobres, as pessoas sabem já ver as diferenças entre os partidos", considerou.
Ao falar em "injecções de dinheiro", Tomé Vera Cruz referia-se ao tradicional "banho", em que as candidaturas dão dinheiro aos eleitores para a "compra" do voto, e considerou que a prática está a "tomar uma nova dimensão".
Negando que o seu partido recorra a este método, Vera Cruz explicou que o "tradicional banho, em que o partido fazia um pequeno convívio com os apoiantes", transformou-se já numa "exigência de quantias em dinheiro por parte dos eleitores em troca de participarem na campanha e de votarem em determinado partido".
O secretário-geral do MDFM-PL garantiu que a aposta do partido tem sido "uma campanha de esclarecimento da população e de divulgação do seu programa" e considerou que outro qualquer "investimento" nem se justifica, porque "hoje a população já sabe que há muitos partidos que aparecem com esse tipo de acções, mas que não têm propostas credíveis de governação do país".
Questionado sobre a fonte de financiamento da campanha da coligação que representa, dado que o Governo não disponibilizou verbas, Tomé Vera Cruz afirmou que recebem "ajuda de amigos", que se recusou a identificar, falando apenas em "parceiros tradicionais".
Quanto às promessas ao eleitorado, Tomé Vera Cruz destacou a prioridade do "combate à pobreza", através da "melhoria das infraestruturas do país como a reconstrução de estradas para a circulação de pessoas e bens, o fornecimento de água potável ou o saneamento básico".
Outra das apostas da coligação é o apoio aos pequenos agricultores para que se possam fixar à terra, evitando-se "o êxodo da população para a capital", São Tomé, além do "combate ao desemprego, promoção de investimento privado em sectores como o turismo e uma política de formação virada para a juventude para gerar emprego e auto- emprego".
Ao contrário do MLSTP-PSD, que apresenta Guilherme Posser da Costa e da ADI, com Patrice Trovoada, a coligação MDFM-PCD só avançará com um nome para o cargo de primeiro-ministro depois de conhecidos os resultados das eleições.
Tomé Vera Cruz começou por argumentar que os dois partidos da coligação estão agora "mais concentrados na campanha", mas acabou por admitir que a escolha do chefe de Governo, caso o partido vença as eleições, vai depender do aval do Presidente.
Dado tratar-se de um sistema semi-presidencialista e porque a maioria absoluta é pouco provável para qualquer partido, a escolha do chefe de Governo tem dependido da aprovação do chefe de Estado, embora a legislatura que agora termina tenha ficado marcada pela instabilidade, com quatro primeiros-ministros.
Em relação a esta instabilidade, Tomé Vera Cruz considerou que se trata de "uma interpretação muito rígida da Constituição", dado que "há poderes que podem ser partilhados", o que não tem acontecido "por falta de diálogo político e concertação entre os órgãos de soberania".
"A população não está preparada para fazer a diferenciação entre as competências e grande parte dos insucessos da governação são atribuídos ao Presidente, quando na maior parte dos casos ele não é um interveniente directo", argumentou.
O secretário-geral do MDFM-PL atribuiu assim a instabilidade a "fricções criadas pelo facto de Governo e Presidente serem de cores políticas diferentes".
Questionado sobre a campanha eleitoral, Tomé Vera Cruz considerou que "está a correr bem, num clima razoável", apesar de "alguns incidentes, considerados normais".
Instado a comentar o decreto presidencial de meados de Fevereiro a ordenar uma auditoria ao sistema informático da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), que o partido no poder e grande parte da oposição qualificam como violação da lei eleitoral, o dirigente do MDFM-PL considerou que "fez sentido" devido a "suspeitas de irregularidades nos cadernos eleitorais".
Às quintas eleições legislativas desde a abertura ao multipartidarismo, em 1990, concorrem dez forças políticas - duas coligações, sete partidos políticos e um movimento cívico - aos 55 assentos da Assembleia Nacional (Parlamento).
No entanto, apenas três são apontadas como prováveis vencedoras: o MLSTP-PSD, a coligação MDFM-PCD e a Acção Democrática Independente (ADI).

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