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Corrupção no reino de Eduardo dos Santos
- 4-Apr-2006 - 0:13
Passada a cobertura que a guerra dava à corrupção angolana, o Governo e as elites que dele se alimentam, vivem agora à sombra de um Estado paralelo, camuflado com a cobertura de muitos investidores internacionais. Basta ver (isto é apenas para os que querem ver) que o Governo impede as empresas que exploram o petróleo (cuja produção representa 45% do Produto Interno Bruto, avaliado em 24 mil milhões de dólares) de tornarem públicos os seus orçamentos.
Por Orlando Castro
Se não é possível saber-se o orçamento real das empresas que exploram petróleo, como é que se vai saber o montante que o Estado arrecada? Se a isto se juntar o facto de que o pagamento ao governo é feito através da participação nos lucros, o quadro real, que não o legal, é de completa pilhagem dos dinheiros públicos que deveriam servir para matar a fome aos angolanos.
Com 87 por cento das receitas estatais provenientes do petróleo, é natural que a economia angolana vegete à volta dessa fonte, criando un ciclo vicioso onde os donos do país, e portando dos angolanos, são sempre os mesmos, até quando têm empresas supostamente de ramos que nada têm a ver com o ouro negro.
Originalmente, Angola assinou uma série de acordos com organismos financeiros, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. O Governo não só não cumpre como, baseado na autonomia política e no crescimento económico, como assina e alimenta múltiplos acordos bilaterais porque estes não obrigam, como acontece com o FMI e o BM, a apresentar contas.
É exactamente isto que se passa com os acordos bilaterais com a China que, com a garantia do petróleo, aumentou fortemente os negócios com Luanda, tendo nos últimos anos posto à disposição de equipa de José Eduardo dos Santos, mais de 2,3 biliões de dólares para supostos “projectos de reconstrução”.
Esse montante é o correcto? Ninguém sabe. O que se sabe é que uma criança morre a cada três minutos (em média 480 por dia) ou que a expectativa de vida é de cerca de 44 ano. Tal como se sabe que 70% da população vive com menos de um dólar por dia e que o país, numa listagem de 173 países, está no lugar 161 a nível do desenvolvimento humano.
orlando@orlandopressroom.com
04.04.2006

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