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Sipaios lambem o prato do chefe
- 12-Apr-2006 - 18:30
O dono (Eduardo dos Santos) mandou e os criados (a comunicação social estatal angolana) sairam à rua para usar a liberdade que não admitem nos outros. Atacaram forte e feio a Imprensa portuguesa por, no dizer do chefe do posto mas pela voz dos sipaios, terem «insultado os mais altos dirigentes angolanos, o regime e as instituições». De facto, sendo o regime angolano democrático e o país um estado de direito, não havendo corrupção e não existindo 70% da população na miséria, não há razões para atacar seja quem for. Muito menos a elite de um presidente vitalício.
Por Orlando Castro
Segundo os sipaios de serviço no Jornal de Angola e na ANGOP, dois belos exemplos de democraticidade e liberdade, «os fantasmas do colonialismo explicam muito deste comportamento», salientando que «o racismo, numa primeira linha, responde por esta campanha bizarra, mas a ignorância também joga um papel importante neste autêntico festival de mentiras e calúnias».
Aqui está um ponto em que têm razão. Os colonialistas não deviam ter fornecido espelhos aos colonizados...
«Muitos líderes de opinião portugueses que se têm destacado nesta campanha caluniosa contra Angola e os seus governantes desconhecem em absoluto o nosso país ou apenas têm conhecimento dele pelas informações que lhes são oferecidas por centrais de intoxicação».
Hugo Chávez não diria melhor. Quando leu o artigo o chefe do posto estranhou que os sipaios não aplaudissem. Só então reparou que se tal acontecesse esses sipaios (que não o Povo Angolano) cairiam das árvores.
O artigo acusa «antigos turistas da Jamba que faziam parte da lista de pagamentos de Jonas Savimbi», incluindo neste grupo de «comerciantes da honra» o director do jornal Público, José Manuel Fernandes, que é o único expressamente citado.
Este é o sítio para onde José Manuel Fernandes dorme melhor. E dorme porque os sipaios do Jornal de Angola e da ANGOP estão a lamber o prato do chefe do posto.
Segundo o autor deste artigo, o director deste diário português «sem nunca ter posto os pés (em Angola) destila em forma de escrita canhestra opiniões fundadas na ignorância e na provocação».
Pois. Tal como o sipaio que nunca contou até mais do que dez sem ter de se descalçar.
«Pelos vistos, há escribas que têm sempre um dono pronto a pagar-lhes. Ontem era Savimbi, hoje sabe-se lá quem é. Mas, publicar opiniões sobre algo que não conhece, é de um atrevimento inaudito», acrescenta, considerando que «Portugal merecia melhor que estes indigentes mentais que publicam desvairados recados a troco de uns tostões».
Malditos espelhos...
orlando@orlandopressroom.com
11.04.2006

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