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Timor Lorosae
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Polícia efectuou cinco detenções relacionadas com manifestação
- 25-Apr-2006 - 11:42
Cinco pessoas foram detidas segunda-feira, no primeiro dia da manifestação que soldados timorenses estão a organizar em Díli em protesto contra alegadas discriminações no seio das forças armadas, disse hoje fonte policial.
Em declarações à Lusa, o comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste, superintendente Paulo Martins, disse que as primeiras duas detenções foram efectuadas logo no início da manifestação, convocada pelos 591 militares afastados das forças armadas.
Os dois detidos tinham na sua posse uma granada que tencionavam arremessar contra os manifestantes, precisou Paulo Martins.
As outras detenções foram realizadas a meio do primeiro dia de protesto, quando três indivíduos apedrejaram os manifestantes numa altura em que estes já se encontravam no local onde pretendem permanecer até sexta-feira.
Os três indivíduos foram espancados por um grupo dos manifestantes e protegidos posteriormente por agentes da polícia, que depois de os transportarem ao hospital para receberem tratamento, foram detidos.
Estes foram os incidentes mais graves no primeiro dia da manifestação, que foi marcada pela passagem de cerca de 2.000 pessoas à frente do Palácio do Governo, Parlamento, Tribunal de Recurso e Presidência da República, onde entregaram um documento expondo as suas exigências.
Outro incidente, mas de menor intensidade, verificou-se à passagem da manifestação pelo antigo mercado de Díli, onde vendedores locais, naturais da zona leste do país, e manifestantes arremessaram pedras uns aos outros e trocaram insultos.
No documento entregue à passagem da manifestação pela cidade, os manifestantes concedem cinco dias para as autoridades arranjarem uma solução para a crise militar, que é sublinhada pela desvinculação, decidida pelo Estado-Maior das Falintil-Forças de Defesa de Timor- Leste, de 40 por cento dos efectivos totais das forças armadas.
Os manifestantes rejeitam a decisão de desvinculação e apelam ao presidente Xanana Gusmão, na qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas, que anule a decisão tomada pelo brigadeiro-general Taur Matan Ruak, avalizada pelo ministro da Defesa, Roque Rodrigues.
O protesto, organizado pelos 591 subscritores de uma petição entregue em Fevereiro a Xanana Gusmão, a denunciar actos discriminatórios de natureza étnica, foi enquadrado na passagem por várias ruas de Díli por um forte dispositivo policial.
A polícia mantém desde então um cordão de segurança entre o local em que os manifestantes estão concentrados e o Palácio do Governo, exactamente o mesmo espaço em que há cerca de um ano a Igreja Católica manteve durante cerca de 20 dias uma manifestação anti-governamental.
Na próxima sexta-feira, último dia do prazo, caso não sejam cumpridas as suas exigências, os manifestantes prometem iniciar uma greve, cujos contornos não esclareceram, mostrando-se mesmo dispostos "a morrer pela justiça e pela transparência".
Enquanto marchavam pelas ruas da capital, empunhando cartazes e panos em defesa das suas posições e saudando o presidente Xanana Gusmão, os manifestantes gritavam "loromonu", termo que identifica os naturais dos 10 distritos mais ocidentais (Aileu, Ainaro, Bobonaro, Covalima, Díli, Ermera, Liquiça, Manatuto, Manufahi e Oecussi).
Os restantes três distritos, Lautém, Viqueque e Baucau, são designados por "lorosae".
A crise saiu pela primeira vez à rua a 08 de Fevereiro, quando centenas de militares se concentraram, desarmados, junto da Presidência da República, para que Xanana Gusmão, na qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas, pusesse cobro aos actos de injustiça que alegam ser sujeitos nas suas unidades.
Como o abandono das unidades continuou, o brigadeiro-general Taur Matan Ruak, apoiado numa nota elaborada pela Presidência do Conselho de Ministros, considerou que os militares se tinham colocado à margem da instituição, sendo considerados civis a partir de 01 de Março.
No documento entregue hoje em Díli, os manifestantes rejeitam a decisão do brigadeiro-general Taur Matan Ruak, que os considera auto- excluídos da instituição militar e rejeitam a comissão criada pelo Estado-Maior para averiguar a justeza das reivindicações dos peticionários, que acusam de não ser imparcial.
O brigadeiro-general Taur Matan Ruak e o ministro Roque Rodrigues, encontram-se presentemente na Malásia, a participar numa feira de armamento, prevendo-se o regresso a Díli na sexta-feira.
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