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UNITA dá (mais um) tiro no pé
- 26-Apr-2006 - 19:31
Porque não há fumo sem fogo, tudo leva a crer que que o presidente da República de Angola tem alguma, ou algumas, doença de gravidade. A ser verdade (e quanto mais tempo Eduardo dos Santos levar a dizer o que se passa, pior), o futuro do país poderá correr alguns riscos. Nesta fase de transição para a plena democracia, com eleições próximas, Eduardo dos Santos de boa saúde é imprescindível ao êxito da paz.
Por Orlando Castro
O líder da UNITA, Isaías Samakuva, veio hoje a público especular sobre o estado de saúde do Presidente, embora dizendo que o fazia para acabar com as especulações. Não foi uma boa acção. Ao falar do assunto, o líder do maior partido da Oposição veio dizer que, afinal, o problema existe.
"Há muita especulação relativamente ao estado de saúde do Presidente da República, pelo que apelo aos angolanos para que mantenham a serenidade e não alimentem as especulações", afirmou Samakuva, levando a que não se fale de outra coisa, já não à boca pequena mas com a sustentabilidade que lhe foi dada pelo líder da UNITA.
Que Luanda é um alfobre de especulações, informações e contra-informações , todos sabemos. Mas quando o líder da Oposição convoca uma conferência de imprensa para falar do assunto, está – convenhamos – a passar a informação de que há de facto um problema.
Segundo a Lusa, várias fontes diplomáticas admitiram ter tido conhecimento do rumor, mas todas asseguraram que não dispunham de nenhum dado que apontasse nesse sentido. Não é verdade, mas é não só politicamente correcto como socialmente aconselhável.
Samakuva, como aliás (quase) toda a Direcção da UNITA, deveria saber que o interesse nacional passaria pelo silêncio sobre o assunto até que, quando entender, Eduardo dos Santos falasse da questão.
Do ponto de vista imediato da UNITA, se calhar até é positivo lançar a questão, embora dizendo que a não está a lançar. Importa, contudo, ter consciência de que a questão de Eduardo dos Santos não diz só respeito ao MPLA mas, sobretudo, ao futuro de Angola.
Tal como os diplomatas, Samakuva deveria ter mantido o silêncio. A eventual precariedade da saúde de Eduardo dos Santos pode ser um rastilho em direcção ao barril da pólvora. A UNITA, com esta posição, acendeu o fósforo mas quis esconder a mão. É um, mais, mau serviço prestado aos angolanos.
orlando@orlandopressroom.com
26.04.2006

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