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  Entrevista
Militares contestatários dividiram-se em grupos
- 3-May-2006 - 17:20


Os militares contestatários que fugiram para as montanhas distribuíram-se por várias zonas do país, em grupos que variam entre os 10 e os 50 elementos, disse hoje à Agência Lusa, o porta-voz do grupo, tenente Gastão Salsinha.


Recusando identificar o local onde se encontra, Gastão Salsinha afirmou em entrevista telefónica que estes militares contestatários - parte dos 591 que denunciaram actos discriminatórios e foram posteriormente considerados auto-excluídos das Forças Armadas - contam com a ajuda de jovens que os acompanharam na manifestação realizada em Díli no passado dia 24.

A manifestação, autorizada pelas autoridades para quatro dias, degenerou ao quinto dia em violentos confrontos na capital timorense, que se repetiram sábado de manhã nos subúrbios a ocidente de Díli.

"Estamos a consolidar a nossa organização", limitou-se a responder quando instado a dizer o que pretendia fazer no futuro.

"Vamos continuar a nossa luta, porque não há outra solução", acrescentou.

O tenente Gastão Salsinha disse que os militares contestatários que fugiram para as montanhas decidiram separar-se e dividir-se por vários grupos, compostos por 10 a 50 elementos cada, e que sobrevivem com o apoio da população, que lhes dá milho, mandioca e bananas.

"No total somos cento e tal", disse.

Questionado sobre a quem cabe a responsabilidade da violência registada em Díli, o porta-voz do grupo apontou para os efectivos das Forças Armadas, chamados pelo Governo para reforçar a polícia na contenção e combate aos manifestantes.

"A culpa é das F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa de Timor- Leste) porque disparou sobre a juventude e civis", acusou, escusando- se a pronunciar-se sobre o início da violência frente ao Palácio do Governo, que foi apedrejado e onde foram queimadas quatro viaturas e duas motocicletas.

"No último dia da manifestação estávamos à espera que alguém dos órgãos de soberania viesse falar com os peticionários e a juventude, e ninguém apareceu", limitou-se a dizer.

Gastão Salsinha reafirma que o número de mortos resultantes dos confrontos ascende a mais de 60, mas oficialmente só há indicação de cinco mortos e 77 feridos.

Relativamente aos diversos apelos à calma e para que regressem às suas casas, feitos pelo Presidente Xanana Gusmão - que lhes garantiu segurança -, e pelo primeiro-ministro Mari Alkatiri, o tenente disse desconhecê-los.

"Não sei de nada. Onde estamos não temos acesso a rádio ou televisão", respondeu.

Peticionários é a forma como são designados os militares contestatários que subscreveram um documento, ou se associaram posteriormente ao projecto, num total de 591, dirigido a 06 de Janeiro ao comandante das F-FDTL, brigadeiro-general Taur Matan Ruak, em que se denunciavam alegados actos discriminatórios de natureza regional.

Os militares contestatários, ou "loromonu", como se auto- designam, são maioritariamente naturais dos 10 distritos mais ocidentais.

Os restantes três distritos, situados na parte leste, são chamados "lorosae".

No passado dia 01, num primeiro contacto telefónico feito pela Lusa, Salsinha disse que apenas confia no Presidente Xanana Gusmão.

"Ele é o nosso Presidente. É o nosso comandante supremo. Se ele fica calado, nós também ficamos e continuamos nas montanhas", frisou.


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