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  Entrevista

Filhos e enteados em Timor-Leste

- 6-May-2006 - 15:01

A situação em Timor-Leste volta a estar ao rubro, ou seja à beira da guerra civil. Por alguma razão a Austrália já disse ter militares prontos, como há umas dezenas de anos se passou com a Indonésia, para calar a revolta. Parece ser uma sina. Já não bastava ser um dos países mais pobres do Mundo? Se calhar é exactamente por isso. Há sempre uns mais pobres do que outros, há sempre os filhos e os enteados.

Por Orlando Castro

A revolta de alguns militares está contudo a engrossar. São cada vez mais os homens de farda que se passam para o outro lado. Ou seja, para o lado de seu velho chefe, Xanana Gusmão.

A revolta é o ponto mais visível das duas correntes dominantes no país. De um lado os que fizeram a luta da resistência nas matas, do outro os que fizeram a luta no exílio e quase sempre em hotéis de cinco estrelas.

Xanana pertence aos primeiros, Mari Alkatiri e Ramos Horta (entre outros) aos segundos. Não admira, por isso, que os militares revoltosos digam que apenas acreditam no presidente da República. Não admira, por isso, que Xanana diga o que pensa – mesmo que colida com o Governo – em defesa dos “seus” homens.

Recordo, uma vez mais, algumas afirmações de Xanana Gusmão numa entrevista que me concedeu e que foi publicado no Jornal de Notícias em 13 de Fevereiro de 1999.

“A partir de agora não teremos mais desculpas. Temos de provar a todos, nomeadamente à Indonésia de que somos capazes. Não vamos exigir à Indonésia, ou à comunidade internacional, as responsabilidades que são apenas nossas. Teremos de ser nós a tratar do nosso destino. Temos de provar que temos capacidade e não defraudar a confiança que estão a colocar em nós”, afirmou então Xanana Gusmão.

“Todos os timorenses, estejam ou não no território, devem reflectir sobre os próximos e difíceis desafios. Reflectir de forma consciente e séria. Eu prefiro a independência. Mas não a prefiro a qualquer preço. A independência não se consegue, ou não se constrói, com um simples içar da bandeira. É preciso trabalhar muito. É preciso estar preparado. Não basta querer, é preciso saber querer.”

Bem pregava Xanana Gusmão. “A independência não se consegue, ou não se constrói, com um simples içar da bandeira”...

orlando@orlandopressroom.com
06.05.2006


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