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CPLP não existe, mas Sócrates quer festejar
- 11-May-2006 - 16:28
A Comunidade de Países de Língua Portuguesa está de parabéns. Conseguiu descobrir hoje que um dos seus Estados (Timor-Leste) tem há meses um grave problema que urge enfrentar e ajudar a resolver. Apesar de descobrir hoje, só na próxima semana haverá (se houver, digo eu) uma reunião do Comité de Concertação Permanente. Deus, seja Ele quem for, nos valha perante tanta inépcia e mediocridade.
Por Orlando Castro
"O secretariado está a tentar acompanhar a evolução da situação e iremos reunir na próxima semana o Comité de Concertação Permanente para analisar a situação e tomar uma posição pública sobre isso", explixou o secretário executivo da CPLP, Luís Fonseca.
“Está a tentar acompanhar”? Palavras para quê. A CPLP, a não ser que seja para manter alguns tachos, deverá ser extinta a bem dos povos, das causas e da resolução dos problemas dos lusófonos.
Entretanto, o Governo de José Sócrates resolveu aprovar (porque será que isto me faz lembrar Salazar?) uma resolução que determina a constituição de uma comissão nacional para desenvolver actividades no âmbito das comemorações do 10º aniversário da criação da CPLP.
Deus, seja Ele quem for, nos valha perante tanta inépcia e mediocridade.
Aprovado em Conselho de Ministros, o diploma visa "estabelecer os mecanismos de coordenação, organização e divulgação das acções e eventos comemorativos do 10º aniversário da CPLP, mediante o pleno envolvimento da sociedade civil, das autoridades públicas e entidades privadas".
Pois. Uma comissão (leia-se mais alguns tachos para a rapaziada socialista) para comemorar os dez anos de uma coisa que não existe.
A resolução refere que a comissão nacional para as comemorações, que será apoiada por um núcleo executivo, terá um mandato que se limitará a este ano, sendo composta por representantes de vários ministérios, designadamente pelos que participam "no Mecanismo de Coordenação da Acção Externa do Estado Português".
Pois. Uma comissão (leia-se mais alguns tachos para a rapaziada socialista) para comemorar os dez anos de uma coisa que não existe.
O Governo sustenta que a comissão nacional e o núcleo executivo das com emorações "não representam qualquer acréscimo ou duplicação de estruturas administrativas, uma vez que assentam no quadro de mecanismos interministeriais de coordenação e serviços administrativos já existentes, nem acarretam novos encargos financeiros para o Estado".
Alguém acredita? Porque razão o Governo se viu na necessidade de antecipar esta explicação?
Não acredito. Mas mesmo que assim seja, não faz sentido criar uma comissão (por muito altruista que seja) para comemorar a existência de uma coisa que... não existe.
orlando@orlandopressroom.com
11.05.2006

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