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  Entrevista
Líder da facção militar em Aileu declara lealdade ao Presidente
- 12-May-2006 - 17:12


Alfredo Reinado, comandante do grupo militar refugiado em Aileu, manifestou hoje lealdade ao Presidente timorense e demarcou-se dos militares contestatários envolvidos nos confrontos de finais de Abril, em entrevista à Agência Lusa.


Por Rui Boavida
da Agência Lusa

"O papel do Presidente Xanana Gusmão nesta crise, até agora, tem sido correcto. Respeito-o como meu Comandante Supremo", disse o major Alfredo Reinado, acrescentando: "o Presidente da República, até agora, ainda não me mandou voltar para Díli".

Demarcando-se dos 591 militares que deixaram os quartéis em Fevereiro, diz que está em Aileu "para proteger as pessoas que fugiram após os incidentes de Abril" em Díli e nega energicamente que o seu objectivo seja condicionar o processo político.

Em entrevista à Agência Lusa na sua base a 47 quilómetros da capital timorense, Alfredo Reinado, disse que foram os "injustificáveis" disparos das forças armadas sobre civis a razão que o levou, e ao seu grupo armado de 24 militares, a abandonar a cadeia hierárquica do exército.

"Estou aqui para provar à Nação que há membros das F-FDTL que não concordam com a missão que as forças de defesa realizaram a 29 de Abril no bairro de Taci Tolo", disse, referindo-se aos confrontos entre manifestantes e forças de segurança que resultaram em cinco mortos e mais de 80 feridos em Díli.

"Esta operação é injustificável pela Constituição e não tem qualquer base legal. Como comandante da polícia militar e oficial da Marinha, não posso concordar com ela", acrescentou o major, que exibe no pescoço, abaixo da nuca, uma tatuagem com o título do filme "Triple X", onde um desportista radical amante de adrenalina luta contra terroristas que querem destruir o mundo com uma arma química.

Alfredo Reinado defendeu ao longo de toda a entrevista que as acções da facção que comanda são de defesa da Constituição e do sistema legal e jurídico, fazendo questão de reafirmar a lealdade ao Presidente da República Xanana Gusmão, Comandante-Supremo das Forças Armadas.

No passado sábado, Reinado disse à Agência Lusa que o primeiro- ministro Mari Alkatiri deve assumir a responsabilidade pelos disparos sobre civis, enquanto o governo acusa o pelotão do major de se ter juntado aos militares contestatários que acusam as F-FDTL de discriminação étnica e cujas queixas levaram às manifestações que degeneraram em confrontos violentos.

No átrio da pequena casa térrea de cor azul que serve de base ao grupo de Reinado estavam, além do grupo de 20 militares no activo e quatro polícias, alguns ex-combatentes, que o major insistiu que apenas procuram protecção.

"O meu dever é proteger todos os timorenses e eu estou aqui para lhes dar protecção, pois eles sentem-se como vítimas", explicou.

Segundo estimativas das Nações Unidas, 70 por cento, ou seja cerca de 90.000 mil pessoas, da população da capital fugiu nos primeiros dias da crise para localidades nas montanhas perto de Díli, três mil das quais para Aileu, após os confrontos entre as forças governamentais e os militares contestatários.

Reinado negou ainda energicamente que o seu objectivo seja condicionar o processo político antes do congresso da Fretilin, previsto para 17, 18 e 19 de Maio em Díli, que escolherá a liderança que vai conduzir o partido no poder nas próximas eleições legislativas de 2007.

"Sou contra e sempre fui contra o envolvimento de militares na política", disse o major, e garantiu: "não apoio nenhum partido e nunca quis ter um cargo político".


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